Criador do inigualável comissário Montalbano, Andrea Camilleri é o mais novo fenômeno literário da Itália e mais um escritor a render-se aos feitiços do romance noir. A FORMA DA ÁGUA é o primeiro de uma série de romances protagonizados por esse detetive siciliano que já se encontra ao lado de grandes protagonistas da ficção policial como Maigret ou Marlowe. A obra inaugura a nova fase da Coleção negra - dedicada aos clássicos da literatura policial: a série Especial noir europeu. A história se passa na pequena cidade natal de Montalbano (o nome do comissário é uma homenagem ao incomparável escritor Manoel Vásquez Montalbán, o maior nome do noir espanhol, a quem Camilleri é sempre comparado) Vigáta, na Sicília, onde um grande terreno na periferia da cidade foi transformado num paraíso para drogados e prostitutas desde que o ministro do interior transferiu para o lugarejo um enorme contingente militar. Neste terreno, dois jovens encontram, entre as muitas camisinhas usadas que recolhem diariamente, o corpo do engenheiro Luparello, cacique da política local. Os dois correm para dar a notícia ao comissário Salvo Montalbano, que faz de tudo para descobrir a verdade, mesmo lutando contra a insuficiência das leis e a impotência do Estado italiano diante dos negócios político-mafiosos. Um romance delicioso que figura entre os melhores policiais da década. Depois de chegar ao topo das principais listas de mais vendidos da Itália, Andrea Camilleri desembarca no Brasil para repetir esse sucesso com A FORMA DA ÁGUA. Andrea Camilleri nasceu em Porto Empedocle, Itália, em 1925. Durante anos, foi diretor, dramaturgo e roteirista de televisão. Nos anos 80 começou a dedicar-se com mais freqüência à literatura, conquistando público e crítica com seus romances ambientados na cidade de Vigàta e protagonizados pelo comissário Montalbano. Com esses romances policials, foi finalista do Premio Noir, vencedor do Ostia, em 1997, e do Zelezione Bancarella, em 1998. Autor, também de romances históricos, ganhou, em 1998, o prestigiado prêmio Empedocle. "Romances policiais cheios de humor. Ficamos apaixonados pelo comissário Montalbano, o Maigret siciliano. Se lemos um, sentimos a necessidade de ler todos." - L"Express
A Forma da Água (Negra) - Uma Aventura de Salvo Montalbano
Andrea Camilleri
ÁGUA LÍMPIDA
"A FORMA DA ÁGUA', do italiano Andrea Camilleri, correspondeu ao meu extenuado coração de leitor apaixonado por ficção policial. Antes, uma rápida nota sobre o autor: Andrea Camilleri aposentou-se como dramaturgo e roteirista de TV para escrever romances policiais. Graças a Deus. Neste "A Forma da Água", a cada parágrafo, Camilleri desmente quem concebe a ficção policial como uma porção de clichês alinhavados um atrás do outro só para garantir suspense ou o esclarecimento de um mistério. Para dar uma ideia mais clara do quanto ele supera as certezas do gênero, não há crime algum a esclarecer ao longo desse romance curto, de leitura rápida e fluida. Quando o assassinato acontece, já no finalzinho, o comissário Montalbano já sabe quem o cometeu, com qual arma e até mesmo o motivo. A história começa quando o corpo de um construtor e engenheiro poderoso, dono de deputados e senadores democrata-cristãos, aparece numa espécie de prostíbulo a céu aberto dentro do seu carro de luxo com as calçar arriadas. O sujeito morreu de ataque cardíaco, nenhuma dúvida quanto a isso. Mesmo assim, Montalbano sente o cheiro de podre e decide que precisa compreender o que aconteceu. Não faltam humor e sarcasmo na trama de Camilleri. O protagonista é cheio de defeitos e contraditório como qualquer humano, não apenas um cavaleiro do bem lutando contra o mal. A literatura policial, neste caso, serviu como um instrumento para desvendar a complexidade da Sicília, não apenas os crimes cometidos pela máfia. Também não há a pretensão de enveredar por reflexões filosóficas sobre as sombras da alma ou os extremos da humanidade. Nada disso. É na simplicidade que a prosa desse italiano é universal. Para quem vive no Brasil, aliás, parece ser mais do que universal. Soa quase como o texto de um vizinho com quem temos razoável intimidade. É fácil para os leitores latino-americanos de Camilleri identificarem-se com a Sicília de empreiteiros corruptos que acumulam poder e dinheiro por meio de ótimos contratos de obras públicas, dos políticos conservadores atolados até o pescoço no crime posando de defensores da moral e família, da banalidade das mortes violentas. Os demais europeus podem espantar-se ao conhecer a Sicília por meio das aventuras de Montalbano. Os brasileiros, não. Para nós, o mais difícil é aceitar a verossimilhança de um político honesto, culto e competente. A edição da excelente coleção negra da Record tem mais de uma década. Pelo que observei na edição de "O cão de terracota" (outro título do autor) a editora bateu cabeça: a tradução não encontrou uma maneira de resolver como manter o tempero dado pelo uso do dialeto siciliano por alguns personagens. No primeiro livro que li do Camilleri (O Cão de Terracota), o tradutor optou por usar os regionalismos dos caipiras brasileiros no lugar da fala do povo da ilha. Em "A forma da água", o dialeto foi substituído por algo que, em português, aparenta ser neologismo. Vou dar um exemplo: “também” virou “tomém”. Esquisito. Em italiano, “também” é “anche”. Nem imagino como seja na Sicília.
Estatísticas
Avaliações
3.8 / 193- 5 estrelas27%
- 4 estrelas36%
- 3 estrelas27%
- 2 estrelas8%
- 1 estrelas2%



