Não se engane que em poemas elaborados no simplismo não encontre uma poética que escape da vida moderna.
Muito menos não há como ficar indiferente à delicadeza da estrutura de poemas que foram forjadas por alguém que as concebeu alheio ao mundo. Testemunha à parte de sua história pessoal, sentir-se isolado em sua própria jornada fez do poeta Marcelo depreender do que acercava em sua vida, sob uma ótica única e literária, uma expiação sobre sua própria carne e trajetória de vida.
É mais que notória a afirmação que a experimentação na vida de um escritor é essencial para que sua escrita torna-a verdadeira e crível em sua profundidade, trazido do seu interím artístico.
Os temas variados conjugam entre a Natureza, trabalho, e sobretudo, a dramaticidade de sua doença, combalida em versos melancólicos, carregados do pesar da dúvida da cura e esperanças em sua luta pela vida.
Sentir-se como um exilado é ser caminhante em uma linha de consciência que separa a sua existência dos que o rodeiam. Torna-se uma expiação peculiar de si, que poucos ou nenhum poderá ter de si. Esse caminhar solitário proporcionou-lhe a visão necessária para que sua porção artística resista juntamente a seu corpo, em uma proteção que alivia e acrescenta as forças para prosseguir sempre em frente.
Seus versos de delicadeza poética sobre a vida, são murmúrios de sobrevivência de uma alma poética.
Não costumo ler poemas, é algo que ainda estou divagando para compreendê-la de fato. Mas quando leio algo que me cativa ou chame a atenção, aprecio a sensação que o encadeamento das palavras provocam em mim. E admiro quem consegue escrever sob uma estrutura de narrativa simplista, mas carregado com a mensagem a ser transmitida.