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    Jacques, o Fatalista, e seu Amo - (Coleção Textos 12)

    Diderot

    Nova Alexandria
    2002
    253 páginas
    8h 26m
    ISBN-13: 9788586075926
    Português Brasileiro
    4
    42 avaliações
    Leram73Lendo9Querem200Relendo0Abandonos2Resenhas2
    Favoritos4Desejados200Avaliaram42

    Uma viagem pelo interior da França do século 18 torna-se uma divertida e irônica aventura. A sucessão de acontecimentos, anedotas e complicações vividas por Jacques e seu nobre amo transforma-se numa envolvente parábola filosófica sobre a determinação de nosso próprio destino.

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    Kiki Marino picture
    Kiki Marino14/12/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Então temos uma cena comum no século XVII, dois viajantes à cavalo numa estrada pelo interior da França,numa conversa informal mas logo descobrimos que são de classes sociais diferentes:Jacques o "servo" e o seu "Mestre", sem nome. Essas barreiras e papéis são logo subvertidas porque Jacques é o protagonista e contador de estórias dessa obra que intriga ,irrita,fascina o narrador. Um tagarela conversador, que domina as palavras e a narrativa ,com as estórias e causos de sua vida e de conhecidos, por onde passa. Um humilde filosofo,ora vulgar,ora profundo, uma figura irreverente, carismática, que tem seu modo de viver resumido neste motif derivado de Spinoza " Está escrito acima " que traz pra trama lições e reflexões filosóficos sobre o livre arbítrio e destino nas ações humanas. Seu Mestre , um ouvinte, muito curioso da vida amorosa de Jacques ,um "insolente",que começa e termina suas estórias quando quer.. "Mestre: Um bom contador de histórias é um homem raro. JACQUES: E é exatamente por isso que eu não gosto de histórias - a menos que eu esteja contando. MESTRE: Você prefere falar mal a ficar quieto. JACQUES: Isso é verdade. MESTRE: E eu prefiro ouvir alguém falando mal do que absolutamente nada." Além de tecer uma olhadela na vida dos simples plebeus e nobres do interior da França, com suas morais tradições e comportamento corrompidas e hipócritas. Afinal a vida humana debaixo do firmamento é previsível,porém nunca entediante . "A vida é uma série de mal-entendidos. Existem os mal-entendidos de amor, os mal-entendidos de amizade, os mal-entendidos de política, finanças, igreja, lei, comércio, mulheres, maridos..." Uma leitura fácil e prazerosa que me lembrou uma das minhas leituras favoritas deste ano :"Lucas Procopio " do Autran Dourado que também tem influencias de Dom Quixote e seu parceiro Sancho Pança. Como o narrador remete ao leitor, destas histórias tirem sua própria conclusão.

    1 curtida

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    Avaliações

    4 / 42
    • 5 estrelas29%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Denis Diderot profile picture

    Denis Diderot

    Denis Diderot (Langres, 5 de Outubro[1] de 1713 — Paris, 31 de Julho de 1784) foi um filósofo e escritor francês. A primeira peça relevante da sua carreira literária é Lettres sur les aveugles a l’usage de ceux qui voient (Cartas sobre os cegos para uso por aqueles que veem), em que sintetiza a evolução do seu pensamento desde o deísmo até ao cepticismo e o materialismo ateu, tal obra culmina em sua prisão. Escreveu ainda Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (Dicionário razoado das ciências, artes e ofícios). Mas a sua obra prima é a edição da Encyclopédie (1750-1772) onde reportou toda o conhecimento que a humanidade havia produzido até sua época. Demorou 21 anos para ser editada, e é composta por 28 volumes. Mesmo que na época o número de pessoas que sabia ler era pouco, ela foi vendida com sucesso. Denis conseguiu uma fortuna. Deu continuidade com empenho e entusiasmo apesar de alguma oposição da Igreja Católica e dos poderes estabelecidos. Escreveu também algumas outras peças teatrais de pouco êxito. Destacou-se particularmente nos romances, nos quais segue as normas dos humoristas ingleses, em especial de Sterne: A Religiosa, O Sobrinho de Rameau, Jacques, o fatalista e seu mestre. Escreveu vários artigos de crítica de arte. Foi um dos primeiros autores que fazem da literatura um ofício, mas sem esquecer jamais que era um filósofo. Preocupava-se sempre com a natureza do homem, a sua condição, os seus problemas morais e o sentido do destino. Admirador entusiasta da vida em todas as suas manifestações, Diderot não reduziu a moral e a estética à fisiologia, mas situou-as num contexto humano total, tanto emocional como racional. Seu pensamento sobre a nobreza e o clero se exprime na seguinte frase: "O homem só será livre quando o último déspota for estrangulado com as entranhas do último padre". Com essa frase, ele quis dizer que todos os governantes e os dogmáticos deveriam ser completamente derrubados, para a humanidade ser livre. Diderot é considerado por muitos um precursor da filosofia anarquista. Alguns estudiosos acreditam que, sob inspiração de sua obra, "A Religiosa", barbáries foram praticadas contra religiosos e freiras na Revolução Francesa de 1789 com o deturpado intuito de "protegê-los" contra os crimes praticados pela Santa Sé, há ainda um suposto dossiê encontrado por Georges May em 1954, que mostra a obra A religiosa como pura ficção e não um retrato da realidade.

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    Haute-Marne, França

    Denis Diderot