Elogio de Sócrates (Leituras Filosóficas)

    Pierre Hadot

    Loyola
    2012
    56 páginas
    1h 52m
    ISBN-13: 9788515039516
    Português Brasileiro

    Este texto foi inicialmente objeto de uma conferência ministrada em 1974, na Sessão Eranos, em Ascona (Suíça), sob o título A figura de Sócrates. Foi publicado no mesmo ano nos Annales d'Eranos (v. 43, p. 51-90) e depois integrado aos Exercícios espirituais e filosofia antiga (3ª edição revista e ampliada, Paris, Institut d'études augustiniennes, 1993).

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    Nemo Nihil10/05/2019Resenhou um livro
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    Alguns trechos marcantes: O fisionomista Zopiro dissera a Sócrates que ele era um monstro e escondia em si os piores apetites. A ele Sócrates contentou-se em responder: "Como me conheces bem". Kierkegaard fala sucessivamente do cristianismo como esteta, depois como moralista, a fim de fazer seus contemporâneos tomarem consciência do fato de que não são cristãos. Um educador nunca diz o que pensa, mas sempre e exclusivamente o que ele pensa de uma coisa quanto à sua utilidade para aquele a quem educa. Todo espírito profundo necessita de uma máscara; e mais, uma máscara se forma perpetuamente em torno de todo espírito profundo, graças á interpretação continuamente falsa, isto é, rasa, dada a todas as suas palavras, a todas as suas trajetórias, a todas as manifestações da sua vida. a ironia [para os gregos antigos] é uma atitude psicológica na qual o indivíduo busca parecer inferior ao que ele é. Epicteto observa que quando as pessoas vinham a Sócrates para lhe pedir que as apresentassem a outros filósofos, ele o fazia de bom grado e aceitava com prazer não ser ele próprio notado. O discípulo é a ocasião para o mestre se autocompreender, o mestre é a ocasião para o discípulo se autocompreender. Em sua morte, o mestre nada tem a reivindicar acerca da alma do discípulo, não mais do que o discípulo com relação ao mestre. Os limites da linguagem: nunca compreendemos a justiça se não a vivemos. Todas as instituições humanas não estão destinadas a impedir os homens de sentir sua vida, graças à dispersão constante de seus pensamentos? um pensador enraizado na existência, não um filósofo especulativo que esquece o que é existir... Sócrates não tem um sistema para ensinar. Sua filosofia é inteiramente exercício espiritual, novo modo de vida, reflexão ativa, consciência viva. Kierkegaard afirma que só sabe uma coisa: que não é cristão. Ele está intimamente persuadido de que não o é, pois ser cristão é ter uma verdadeira relação pessoal e existencial com Cristo, é ter se apropriado plenamente dessa relação, é tê-la interiorizado em uma decisão que emanou das profundezas do eu. Dada a extrema dificuldade dessa interiorização, não há cristão. Somente Cristo é cristão. Ao menos aquele que tem a consciência de não ser cristão é o melhor cristão, na medida em que reconhece que não é cristão [do mesmo modo que Sócrates, por reconhecer que nada sabia, era quem mais sabia]. Uma consciência desdobrada que sente apaixonadamente que não é o que deveria ser... Somente do amor nascem as visões mais profundas. Só se aprende de quem se ama. Com amor o mortal dá o melhor de si. É indigente e aspira à pureza e à beleza. O pensamento mais profundo ama a vida mais viva. Que coisa magnífica e deliciosa é um ser vivo. Que é bem adaptado à sua condição, que é verdadeiro, que é existente!" Seu ditirambo inflamado, dionisíaco, sobre a vida e nada mais do que a vida... Veni, Sancte Spiritus, flecte quod est rigidum, fove quod est frigidum, rege quod est devium. O Gênio do Coração, tal qual o possui esse grande Misterioso, este deus tentador, nascido para ser o encantador de ratos das consciências, cuja voz sabe descer até o mundo subterrâneo de cada alma... que não diz uma palavra, não lança um olhar onde não se esconde uma intenção secreta de seduzir... o Gênio do Coração, que impõe silêncio aos barulhentos e aos soberbos e ensina-lhes a escutar, que pule as almas rugosas e as faz experimentar um desejo novo, o de permanecer lisas e imóveis como um espelho para refletir o céu profundo... Após seu toque, cada um parte enriquecido, não de um presente recebido por graça ou por surpresa, nem de uma felicidade estranha, com a qual se sentiria oprimido, mas mais rico de si mesmo, renovado aos seus próprios olhos... acariciado e desnudado pelo sopro morno do degelo, talvez também mais incerto, mais vulnerável, mais frágil, mais quebradiço, cheio de esperanças que ainda não têm nome.

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