Este ensaio é uma análise original de Mário de Andrade. Inicialmente situa Macunaíma na construção do discurso sobre a identidade nacional, estabelecendo pontes comparativas com Manuel Antônio de Almeida, José de Alencar e Machado de Assis. O segundo capítulo se dedica à transição poética do escritor entre Pauliceia desvairada e Clã do Jaboti. Na parte mais instigante, o autor confronta duas obras modernistas, Macunaíma e Ulisses, detendo-se especialmente numa leitura comparativa entre o capítulo "Vei, a Sol" e o episódio das sereias, do livro de James Joyce. Finalmente, num estudo que apresenta o romance de Mário como uma importante reflexão sobre a lógica das crônicas de viagem, José Luiz Passos faz uma aproximação entre a "Carta pras Icamiabas" e a carta de Pero Vaz de Caminha. Com Ruínas de linhas puras, o ensaísta começa a deixar sua marca no campo da crítica literária brasileira. E o faz de uma forma exemplar na sua abordagem multifacetada de uma das obras canônicas do Modernismo brasileiro. (Randal Johnson, UCLA)

