O mundo de Aisha - A revolução silenciosa das mulheres no Iêmen

    Ugo Bertotti

    Nemo
    2015
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788582861660
    Português Brasileiro

    Obrigadas a se casarem ainda meninas. Escravizadas, violentadas, por vezes assassinadas. Cobertas com o véu negro – o niqab – as mulheres do Iêmen parecem fantasmas. Contudo, pouco a pouco, com delicadeza, coragem e determinação, elas travam uma batalha corajosa por sua emancipação. Uma revolução silenciosa está em marcha para fazer valer seus direitos e sua liberdade. Aisha, Sabiha, Hamedda, Houssen e tantas outras: aqui estão algumas de suas histórias. Uma extraordinária reportagem em quadrinhos de Ugo Bertotti inspirada pelas imagens e pelas entrevistas da fotojornalista Agnes Montanari.

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    Natalia Araújo14/07/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Preciso superar o vazio que esse livro me deixou

    É uma história tão difícil de ler, escrever e, obviamente, vivenciá-la. A sensação de incapacidade é grande, enquanto percorremos a leitura; a sensação de impotência por sabermos que algo tão desumano acontece e nada podemos fazer a respeito. Nada será capaz de dizer o quanto essas mulheres sofreram e sofrem por ter seus direitos violados. As mulheres do Iêmen parecem fantasmas. São tratadas como objetos por seus companheiros. Aliás, algumas são piores do que isso, pois receber um tiro do próprio esposo e ficar paraplégica é o c.ú.m.u.l.o pra mim. (coloquei assim porque o Skoob censura as duas primeiras letras hahaha) As meninas são obrigadas a se casarem cedo, com 11, 12 anos. São escravizadas, violentadas e, por vezes, assassinadas. São obrigadas a usar o niqab, um véu negro que cobre todo o seu rosto, deixando apenas os olhos de fora. São vítimas da própria família, da própria sociedade, que julga a forma que vivem, o que precisam fazer, ditam como devem se portar e trabalhar com algo que não tenha homens por perto. Elas são vítimas do próprio país, que tem o dever de protegê-las. Aos poucos, elas tentam ter o seu espaço, através de uma revolução silenciosa, buscando sua liberdade. Aqui temos a história de Aisha, Sabiha, Hamedda e Houssen, mas existem outras. São tantas. Incontáveis. É uma reportagem em quadrinhos incrível! A leitura é rápida por conta do número de páginas e pelas ilustrações facilitarem o desenvolvimento. Mas a lição que o livro carrega não dá pra esquecer. É triste saber que tantas mulheres passam por isso. É triste saber que num país como o Brasil a mulher é tão desprezada, mas que não chega aos pés do que vivem nos países árabes. É um livro que deveria ser lido nas escolas, por mulheres, homens... Deveria ser debatido entre os alunos. Não dá pra deixar uma história dessa passar batida. Não dá pra ver tanta dor e se calar. Termino essa resenha da mesma forma que comecei, com uma sensação de impotência, de tristeza. De vazio. É impossível não sentir isso. Leiam, por favor! Leiam!

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