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    Diante do Nada

    Oscar Niemeyer

    Revan
    2006
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-10: 8571061351
    Português Brasileiro
    3.8
    6 avaliações
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    Favoritos1Desejados4Avaliaram6

    Diante do nada é o livro de Oscar Niemeyer, maior arquiteto do mundo, que estreia como ficcionista. A editora Revan apresenta uma bela edição ilustrada com desenhos do autor. O romance, passado na época de mais feroz repressão da ditadura militar, narra a história de um professor universitário e sua namorada que se envolvem num episódio de luta política, depois de se refugiarem numa pequena vila à beira-mar e juntarem-se a um grupo de pescadores e gente simples que ali morava. Na obra, se mesclam lances de novela policial, crônica dos tempos e lirismo. Através da trama, Niemeyer leva o leitor a reflexões sobre problemas essenciais do ser humano. Após a publicação de seu livro de memórias, As curvas do tempo, Oscar Niemeyer volta seu gênio criativo para a ficção literária, em que seu amadurecimento como escritor encontra seu maior momento. O resultado é um conto simples, quase uma fábula, de beleza e grandeza notáveis, que os leitores brasileiros e de todo o mundo hão de perceber e usufruir. A seguir, alguns comentários sobre o romance: "Li, reli, curti seu Diante do nada, tão cheio de amor, de ternura, de tesão e de rebeldia indignada." Darcy Ribeiro "Texto simples, bonito, pautado na solidariedade e na ligação estreita entre o homem e a natureza. A linguagem é objetiva, dialogando bem com os desenhos magníficos." Flora Sussekind "Eu estava no Rio, cuidando do leite da Ritinha, e recebi e li o Diante do nada, do Oscar. Li de uma paulada - e gostei muito. Ele consegue ser terno e cru ao mesmo tempo, romântico e indignado, sensual e duro." Fernando Moraes

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    Ceiça Carvalho picture
    Ceiça Carvalho06/03/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    muito bom

    Fiquei surpresa com a leitura deste livro, imaginei inicialmente que fosse uma leitura complicada ou até mesmo chata. Me enganei! Gostei muito da oportunidade de ler e recomendo de cara a todos os que queiram saber de forma lúdica um pouco de nossa história. O livro tem um formato diferente do costumeiro, é quadrado, paginação branca e macia, papel couchê, e as folhas são costuradas, isso já mostra a sofisticação e reverência ao ilustre escritor que também foi nada mais nada menos que o maior arquiteto do mundo. Outra coisa que chama atenção na montagem do livro são as imagens, todas feitas com os riscos inconfundíveis de Niemeyer sempre acompanhando a narrativa. Como o próprio Oscar fala ele não teve nenhuma preocupação literária, o que fez muito bem e transformou seu conto em algo bem atrativo. A história ocorre durante a ditadura com as lutas de classes e perseguições políticas. Toda perseguição sofrida pela população das grandes capitais, principalmente professores e estudantes das universidades. Way, professor universitário, se depara com uma grande decisão, a de fugir e se exilar no exterior ou se distanciar o máximo possível dos movimentos e ir morar em uma longínqua cidade interiorana chamada Coqueiral. Em Coqueiral Way tenta, sem muito êxito, se submeter à vida pacata do interior, faz amizades e logo começa a realizar uma militância onde seus seguidores eram os pacatos moradores da cidade que desconheciam toda a verdade sobre os acontecimentos que giravam em torno da ditadura. Sabino, um frei totalmente conhecedor do movimento mas que por causa da religião preferira se abster de tudo era o melhor amigo de Way, ao meu ver era seu equilíbrio pois Sabino quase sempre o trazia à razão sobre suas ações. O que nos mostra a riqueza da narrativa quando o autor não se absteve de trazer-nos questões como a natureza, a fulga dos perseguidos, as militâncias, a igreja progressiva e abstemia da realidade, a oposição, militarismos, dentre outros temas que abarcaram todo momento que girou em torno da ditadura militar. Particularmente curti muito a leitura como sou formada em Ciências Humanas acabei vivendo a história de um ponto de vista diferente. Observei nomes como o de Gregório que me lembraram do comunista Gregório Bezerra, preso e torturado durante o regime militar. O que nos mostra o nível de conhecimento do autor. O “eu-arquiteto” de Niemeyer não ficou de fora quando o mesmo reverenciou a natureza em todos os seus aspectos, mar, tempestades, dia de sol, etc. Fim trágico? Não acredito! Creio que o autor ao descrever o final de seus personagens mostrou com uma lenda local que aquilo ainda não havia terminado e que ainda teríamos muita história pela frente, afinal de contas o Brasil narra sua história e a história de muitos Way’s guerreiros e militantes.

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