SUBORDINAÇÃO CONSENTIDA - Capital multinacional no processo de acumulação da América Latina e Brasil

    Rubens Sawaya

    ANNABLUME EDITORA
    2006
    266 páginas
    8h 52m
    ISBN-10: 8574196479
    Português Brasileiro

    Este livro demonstra como, a partir dos processos de acumulação, concentração e centralização de capital, pode-se explicar o processo de mundialização de capital e seu impacto sobre a periferia latino-americana. A idéia central está em que esses processos que explicam o movimento de capital em sua acumulação ampliada têm uma forte ligação com o movimento de mundialização do capital em suas distintas fases. Procura-se demonstrar que nos anos 80-90 o movimento do capital que predomina é a centralização em escala mundial, diferente dos períodos de internacionalização anteriores, nos quais a expansão do capital estava ligada muito mais à lógica da acumulação e concentração. Quando a mundialização do capital ocorreu sob a lógica da acumulação e da concentração, este movimento foi caracterizado por uma relação de inclusão de novos espaços à acumulação mundial. Nesses processos, o capital, materializado na ação de capitais individuais - empresas multinacionais-, integrou a periferia em seu movimento de expansão. No momento em que o processo de centralização passa a dominar o movimento de capital, ao contrário, seu impacto sobre o mundo é desintegrador; o capital, no processo de centralização, elimina os capitais supérfluos, abandonando espaços que antes ocupava. Neste processo, a periferia corre o risco de ser excluída caso esteja fora da estratégia mundial de cada capital individual. Assim, o capital pode abandonar locais, desindustrializar a periferia. Este movimento foi o que caracterizou os anos 80-90. O Brasil e alguns países da América Latina que outrora lograram se industrializar através de estratégias deliberadas de atração do capital multinacional, aliando-se aos movimentos de expansão do capital, vêem-se, agora, diante do movimento de centralização mundial do capital, enfraquecidos e vulnerabilizados, correndo risco de desindustrialização e empobrecimento relativo. Ao acoplarem-se ao movimento mundial do capital subordinando-se a ele - movimento que outrora foi integrador apesar de elevar a dependência, mas que agora é desintegrador - com políticas liberalizantes que dão total liberdades à reestruturação mundial de capital, esses países passaram a correr o risco de verem seus sonhos de desenvolvimento escorrerem por entre dos dedos. Acoplar-se ao movimento mundial do capital no passado criou a vulnerabilidade do presente; manter-se na mesma lógica do capital apenas arraiga as contradições, eleva o empobrecimento e torna esse países pouco interessantes ao próprio capital.

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