O livro me surpreendeu muito. O autor com sua narrativa fácil e detalhada da época onde se passava a história, década de 50, os belos "Anos dourado", nos faz viver junto com Xexéu, o personagem principal, cada momento da história. Com o passar da leitura você se ver vivendo cada fato narrado pelo autor.
O autor nos traz a história de um autêntico malandro dos anos 50, como o próprio autor diz, os "Anos Dourados". Um malandro típico, com o terno branco impecável, sapato preto lustrado e o chapéu branco. Um bom malandro que faz da mesa de carteado o seu escritório. Um homem apaixonado e que sabe tratar bem a mulher que ama. Tratando-a como muito carinho.
"— Amélia..., não se embeleza demais não, hein! Não quero saber de concorrente.
A mulher ainda no banheiro se retocando, muito feliz e agradada com o que ouviu, perguntou aos risos e também em voz alta:
— Tá com ciúme, dengoso?...
Esparramado na cama e olhando para o teto, ele replicou em tom alto:
— Que ciúme?... Tá louca, mulher? Estou falando que não quero concorrente e não que tenho ciúme.
— Ah, é?... Então tá bom! – disse ela rindo e continuou se retocando feliz como nunca por ter ouvido a lisonja que ouviu."
Eu fiquei encantada com o amor com que Xavier, Xexéu para alguns, tinha para com Amélia. O carinho e o cuidado que um tem pelo o outro é muito bonito. Amélia é uma mulher muito compreensiva. Entende o "trabalho" que seu dengoso tem, esse é o nome carinhoso que ela o trata, o de ser um bom malandro. Fazia da mesa de jogos de cartas o seu escritório. E ele era tão bom no carteado que lhe choviam convites para o jogo. Depois que os cassinos foram fechados, o jogo ficou proibido e agora só podia jogar escondido. Xexéu sentia muita saudade dos cassinos, do tempo que o jogo não era proibido no Brasil. Xexéu sonhava com o dia que o jogo voltaria a ser liberado. Mas parecia que esse dia nunca chegaria. Enquanto isso Xexéu e sua nega, Amélia, viviam a vida.
Mas o tempo foi passando e Xexéu cada vez mais saudoso do tempo que podia jogar sem se preocupar em ser pego e preso. O autor nos conta, com uma volta no tempo, como Xexéu se tornou um jogador e malandro, e como se tornou também o melhor jogador. Ele nos conta a infância de um menino que viveu em um cassino rodeado por prostitutas.
E cansado de esperar que os políticos fizessem algo para que o jogo fosse liberado no Brasil. Xexéu resolve fazer algo ele mesmo para acelerar essa possibilidade, mas algo acontece que deixa Xexéu desolado e que acaba de vez com suas esperanças em ver o jogo liberado no Brasil.
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