À sombra de uma reflexão sobre o turismo cidadão e o cidadão turista, as autoras questionam as atuais políticas para o setor e as próprias práticas turísticas – comportamentos e consumos. Conduzidas pela noção de cidadania, acenam, então, com uma nova compreensão do fazer Turismo e do ser turista.
Turismo, Políticas Públicas e Cidadania - Coleção ABC do Turismo
Susana Gastal, Marutschka Martini Moesch
TURISMO, POLÍTICAS PÚBLICAS E CIDADANIA
O livro, escrito por Susana Gastal e Marutschka Martini Moesch, tem como objetivo principal introduzir o leitor nos processos que envolvem a atividade e a experiência turística, apresentando seu papel diante das mudanças que o mundo e a sociedade atual estão passando e como a cidadania, aliada ao Turismo, pode vir a ser uma maneira diferenciada de pensar as Políticas Públicas. As autoras optam por descrever o Turismo como o ato do cidadão deslocar-se para um local diferente de seu ambiente usual, onde se defrontaria com algo novo e inesperado, vivenciando momentos que o levariam a modificar seu olhar e entendimento para com suas experiências. No mundo contemporâneo, a atividade turística transformou-se numa prática de alto valor afetivo para seu usuário, levando-o a “experienciar, vivenciar e conviver”. Diante disso, os grandes segmentos de mercados, responsáveis por constituir o turismo tradicional, são substituídos pelos roteiros que envolvam destinos que tenham como prioridade fatores como cultura, educação, tecnologia e qualidade de vida dos habitantes locais. Pois, como as próprias autoras afirmam, “a cidade boa para o turista seria aquela que é boa para seus cidadãos”. Nesse instante, é exaltado a importância de, a exemplo dos visitantes, a comunidade receptora possuir comportamentos éticos, de cidadania e solidariedade. Assim, Gastal e Moesch procuram esclarecer os conceitos e os valores presentes no ato da cidadania – ideia surgida na Grécia Antiga que, agregada às revoluções ocorridas do século XVIII, insinua que a igualdade é um direito e um dever de todos, sejam eles civis, políticos, sociais ou culturais. Ao levar em consideração que a compreensão de igualdade apresenta-se diferente para cada cultura e que a principal ação praticada pelo turista é o deslocamento (onde sai de seu espaço e encontra outros locais e pessoas com costumes e culturas diferentes da sua), pode-se construir a seguinte questão: como a noção de cidadania pode coexistir com o Turismo? Para respondê-la, é interessante exaltar o papel que as políticas públicas exercem sobre a atividade turística e o incentivo à cidadania. Quando se refere ao Turismo, as autoras defendem que um dos principais objetivos da política pública é democratizá-lo, proporcionando – através de normatizações jurídicas e de diretrizes públicas – que todos, sejam visitantes ou cidadãos, possuam acesso igual ao lazer e à hospitalidade. Ressaltam, também, que estas políticas devem ser pensadas junto ao trade turístico e à sociedade, incentivando a participação cidadã e priorizando a criação de um turismo sustentável e humano. O sucesso dessa ciência de planejamento turístico voltada para a cidadania resulta em lucro de ambos os lados: enquanto que a participação efetiva da comunidade local, responsável por definir a integração do visitante, contribui para um desenvolvimento turístico qualificado no local, o Turismo proporciona crescimento econômico na região onde está inserido. Pode-se dizer, também, que há uma diferença no relacionamento dos moradores locais (colocados pelas autoras como turistas cidadãos) e dos visitantes para com uma cidade. Conforme relatado no texto, quando uma localidade pensa o Turismo pelo olhar dos residentes, desenvolvendo projetos em conjunto com a comunidade, o setor turístico tem maiores oportunidades de crescer, pois é através do cidadão local que o turista poderá vir a ter uma boa experiência. Realizada a leitura completa e retornando, então, à questão levantada anteriormente, pode-se concluir que a convivência do turismo com a cidadania pode, sim, ser possível. Entretanto, é importante ressaltar que são poucos os destinos turísticos que seguem à risca o pensamento das políticas públicas, com pouca participação real da comunidade. Ao concluir o livro, posso afirmar que o considerei um bom material de estudos dentro do curso de Turismo, contendo um número considerável de informações, principalmente para a disciplina de Políticas Públicas. Entretanto, a forma como foi escrito acabou por torná-lo um pouco cansativo. Acredito que, buscando aprofundar o assunto, Gastal e Moesch acabaram por fazê-lo repetitivo demais em algumas ocasiões.
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