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    El amante bilingüe (Biblioteca Breve)

    Juan Marsé

    Planeta - Seix Barral
    2006
    220 páginas
    7h 20m
    ISBN-13: 9788432212161
    Espanhol
    4.3
    3 avaliações
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    Resenhas (1)Ver mais
    Alexandre Kovacs picture
    Alexandre Kovacs29/03/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Juan Marsé -El amante bilingüe

    224 páginas - Editora Planeta - Seix Barral - Publicação 2006 (lançamento original Editorial Planeta em 1990). Vencedor do Prêmio Cervantes 2008, o catalão Juan Marsé é praticamente um desconhecido no Brasil, tendo somente um livro publicado em nosso país: "Rabos de Lagartixa" pela editora Siciliano em 2004. "El amante bilingüe" é narrado em primeira pessoa pelo fracassado e desiludido Juan Marés (o autor já começa o seu jogo de farsas e duplicidades ao escolher o nome do personagem à partir de um trocadilho com seu próprio nome). O romance é dividido em três partes ou cadernos de memórias escritos pelo protagonista: "El día que Norma me abandonó", "Fu-Ching, el gran ilusionista" e "El pez de oro". O primeiro caderno, "El día que Norma me abandonó", como implícito no próprio título, descreve a traição da esposa, Norma Valentí, pertencente à alta burguesia catalã, com quem Marés se uniu por mera casualidade, apesar da total incompatibilidade social (ele tem origem muito humilde, filho de uma ex-cantora lírica alcoólatra e de um ilusionista circense chinês). A traição é apresentada logo no primeiro parágrafo da seguinte forma: "Una tarde lluviosa del mes de noviembre de 1975, al regresar a casa de forma imprevista, encontré a mi mujer en la cama con otro hombre". O tom farsesco do romance fica claro quando Juan Marés vem a descobrir que o amante da esposa é um simples engraxate, após um insólito diálogo que ambos mantêm no quarto, sem outra alternativa, após a partida da esposa que parece não demonstrar o menor escrúpulo com a situação constrangedora. No segundo caderno, "Fu-Ching, el gran ilusionista", Marés, dez anos depois, ainda não conseguiu se recuperar da separação (a mulher o abandonou imediatamente após tê-lo traído), tornando-se um músico pedinte de rua e decide avançar em um plano inverossímil para reconquistar a esposa à partir de um disfarce, aproveitando que o seu rosto foi parcialmente desfigurado em um acidente. Ele então se transforma em Juan Faneca, o nome de um antigo amigo de infância que partiu para a Alemanha e nunca retornou (aqui outra brincadeira do autor que utiliza, desta vez, o seu nome de família original, Juan Faneca Roca, uma vez que ele foi adotado pela família Marsé, após a morte da mãe durante o parto). O disfarce funciona tão perfeitamente que Juan Marés tem a sua identidade gradativamente anulada por Juan Faneca. No terceiro e final caderno, El pez de oro", Faneca está muito próximo de realizar o sonho de Marés e reconquistar a esposa infiel, mas conhece Carmen, uma bela e jovem recepcionista na pensão onde passa a morar, cega depois de uma enfermidade aos treze anos, e começa a se interessar por ela. O leitor só tem a ganhar com o conflito de personalidades que se estabelece entre Marés e Faneca pois, no desenvolvimento da trama, cada vez fica mais claro que somente haverá espaço para um dos dois nesta estranha luta entre o que o protagonista gostaria de ser e o que ele realmente se tornou. A cidade de Barcelona e sua dualidade linguística (catalão e espanhol) é uma presença constante no romance e um dos focos centrais da narrativa que lida todo o tempo com os duplos sentidos e múltiplas interpretações. Um belo exemplo de como fazer literatura, muito recomendado. "Lo esencial carnavalesco no es ponerse careta, sino quitarse la cara." - Antonio Machado (epígrafe à primeira parte do romance).

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    Juan Faneca Roca profile picture

    Juan Faneca Roca

    Juan Faneca Roca conhecido como Juan Marsé (8 de Janeiro de 1933, Barcelona, Espanha) é um premiado escritor espanhol. Aos 25 anos, começou a escrever regularmente nas revistas Ínsula e El Ciervo. Ainda nesse ano terminou o seu primeiro romance Encerrados com un solo juguete, no qual já vinha a trabalhar desde os 22 anos, quando cumpriu serviço militar em Ceuta. Concorreu com esta obra a um prémio do qual foi finalista, o que lhe valeu a publicação do romance. Uma amiga incentivou-o a continuar a escrever e em 1959 convenceu-o a enviar um conto, Nada para morir, para o Prémio Sésamo, que viria a ganhar. No ano seguinte, Juan Marsé deixou a joalharia e foi viver para Paris, em França, onde arranjou emprego num laboratório no Instituto Pasteur. Paralelamente, começou a traduzir argumentos de filmes e a dar aulas de espanhol. Regressou a Espanha em 1962, ano em que publicou Esta cara de la luna. De novo a viver em Barcelona, iniciou a sua ligação ao Partido Comunista Espanhol. Três anos mais tarde, ganhou o Prémio Biblioteca Breve com o romance Últimas tardes com Teresa. Teresa foi uma das suas alunas de espanhol em Paris e era filha de um pianista famoso. Juan Marsé, entretanto, passou a escrever publicidade, textos para capas de livros e diálogos para argumentos cinematográficos. Em 1970 foi nomeado redactor-chefe da revista Bocaccio. Prosseguiu a carreira de escritor com La oscura historia de la prima Montse e Si te dicen que cai, para a qual se inspirou na sua infância. No entanto, esta última obra foi censurada em Espanha e Marsé foi obrigado a editá-la no México, onde viria a receber o Prémio Internacional de Romance. A partir de 1974 passou a colaborar na revista Por Favor, para a qual elaborava retratos literários de personalidades da actualidade, desde actores a políticos e até figuras da alta sociedade. Entre 1975 e 1978 escreveu alguns textos para cinema apenas para ganhar dinheiro. Neste último ano ganhou o Prémio Planeta, um dos mais conceituados de Espanha, com a obra La muchacha de las bragas de oro. A partir desta altura passou a ser um autor com muito sucesso junto do público. Seguiu-se em 1982 Um dia volveré e em 1984 Ronda del Guinatrdó, ambas com Barcelona como cenário. Dois anos depois publicou um novo livro, desta vez de contos, intitulado Teniente Bravo. Em 1990, com El amante bilingue (O Amante Bilingue), ganhou o prémio Ateneo de Sevilha. Três anos mais tarde lançou El embrujo de Shangai (O Feitiço de Xangai), que venceu o Prémio da Crítica, em Espanha, e o Aristeión, atribuído pela União Europeia. Ambas as obras estão editadas em Portugal. Em 1997, Juan Marsé foi distinguido com o Prémio Juan Rulfo da Literatura Latino-Americana e do Caribe, o mais conceituado da América Latina. Em 2000 regressou aos lançamentos com Rabos de Lagartija (Rabos de Lagartixa), também editado em Portugal.

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    Juan Faneca Roca