Parte I:
A verdade é sempre revolucionária. (Antonio Gramsci)
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Numa passagem bem conhecida da Miséria da Filosofia, Marx constata que a burguesia tinha proclamado com razão que as instituições da feudalidade eram históricas, ultrapassadas, arcaicas; enquanto essa mesma burguesia se obstina em apresentar as instituições da ordem capitalista como naturais e eternas. Assim, houve história, mas não há mais, acrescenta ironicamente Marx. A burguesia revolucionária tinha percebido e denunciado o caráter histórico e transitório do sistema feudal; é somente o proletariado que é capaz de perceber e denunciar a historicidade do sistema burguês.
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Parte II:
Mais tarde, ao abordar o problema do ponto de vista genético, Marx rompe claramente com os mitos do contratualismo: da mesma maneira que a Sociedade produz ela mesma o HOMEM como HOMEM, ela é produzida por ele. O homem surge como tal, diferencia-se dos animais, a partir do momento em que começa a PRODUZIR seus meios de vida, e essencialmente, toda a história do mundo não é outra coisa senão a produção do homem pelo trabalho humano; ora, este trabalho é, sobretudo, uma atividade social, que implica necessariamente um laço social de cooperação, um laço material dos homens entre si, que é condicionado pelas necessidades e pelo modo de produção, e que é tão velho quanto os próprios homens.
Em resumo: o trabalho, a produção, a apropriação da natureza são os responsáveis pela antropogênese e, sendo a produção fenômeno de caráter intrinsecamente social, o surgimento do homem enquanto tal não pode ser separado da emergência de uma certa estrutura e organização societárias.
Não apenas a produção, mas as necessidades humanas, por sua própria natureza e pelo modo de satisfazê-las (relações sexuais, intercâmbio, divisão do trabalho) aproximam entre si os homens e tecem entre eles uma rede de relações sociais.
Por outro lado, a atividade humana, não só a produtiva, mas em todas as suas formas, é atividade social, mesmo quando não é realizada em comunhão direta com os outros, uma vez que não é somente a matéria de minha atividade que me é dada como produto social..., é a minha própria existência que é atividade social. E, finalmente, também a CONSCIÊNCIA do homem é já de antemão um produto social, porque ela não é somente a consciência da pessoa individual, mas sim do indivíduo em conexão com toda a sociedade e da sociedade toda em que vive.
Assim vemos que o Homem, pela sua origem e sua história, pela natureza de suas necessidades e de suas ações, e pelo caráter de sua consciência, não pode ser oposto à Sociedade; na verdade, como afirma a famosa tese VI sobre Feuerbach, a essência humana não é algo abstrato e imanente a cada indivíduo; ela é, em sua realidade, o conjunto das relações sociais.
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