Poemas de Alberto Caeiro -

    Fernando Pessoa

    Z Edições
    2014
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 1230000208673
    Português Brasileiro

    Diz-se que Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa, no ano de 1889, no dia 16 de Abril e morreu na mesma cidade, no ano de 1915. Também diz-se que ele, apesar de ter nascido (e morrido) na capital, vivera toda a sua vida no campo, sem ter tido instrução ou educação além da básica, fundamental. Era órfão de pai e mãe e vivia do pouco que sua terra, arrendada, lhe fornecia, com uma tia-avó que lhe acompanhava. Diz-se isso da maior criação de Fernando Pessoa. É o próprio autor que lhe traça a biografia e, por ironia, tece no seu personagem mais “matuto”, os maiores arroubos filosóficos que sua mente prolífica produz em texto. É o texto que Pessoa produz que molda a vida do seu melhor heterônimo. A linguagem simples e limitada, a percepção da vida pouco sofisticada, mas imbuída de uma sensibilidade transcendental é quem dá a vida ao “escritor”. Alberto Caeiro nasce do texto que lhe é atribuído, é a obra fazendo o “obreiro”, a reversão do processo em texto. Ele surge como uma resposta de Pessoa à poesia simbolista, bebendo das mesmas fontes, das mesmas metáforas, mas com um viés mais concreto, sem alegorias desnecessárias. Desconstrói o racionalismo e a intelectualidade, substituindo esse processo por uma vivência mais material e sinestésica. Ele incorpora os princípios Epicurianos num viés indireto, sem pedantismo e sem citar nomes e referências. Basta viver a vida para entendê-la, para transcendê-la. É a prática do “realismo sensorial”, numa rejeição às elucubrações da poesia simbolista.

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    Clio06/04/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tudo que é bonito nessa vida é simples... como os poemas de Alberto Caeiro. Caeiro tece versos livres de rima e regras que exaltam a vida simples do canto e recuperam os mitos greco-romanos remetendo ao Paganismo de outras escolas literárias. Não se pode pensar, contudo, que esses sejam poemas apenas descritivos. Como quase tudo que Pessoa escreve, seja por ele mesmo ou seus heteronômios, a lógica e o pensamento imperam. Recomendo.

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