Grendel - O inimigo de Beowulf

    John Gardner

    Saída de Emergência
    2007
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9789896370145
    Português

    No épico anglo-saxónico do século oitavo, Beowulf, o herói do título, mata Grendel, o monstro meio humano que à noite atacava a cidadela do rei Hrothgar. Quando a ainda mais assustadora mãe de Grendel vem para o vingar, Beowulf persegue-a até ao seu covil e mata-a também. Em 1971, o romancista americano John Gardner conquistou merecida celebridade ao recontar estes eventos pelo ponto de vista de Grendel. O resultado é um livro sensível, complexo, poético e profundamente humano.

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    Régis Maz28/11/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A dualidade da natureza humana os torna monstros também...

    Grendel foi lançado em 1971, escrito pelo americano John Gardner; um especialista em línguas antigas e professor de literatura medieval. É um reconto do poema épico Beowulf (que data entre o século VIII e XI) narrado pelo ponto de vista do monstro e é considerado por muitos críticos como um dos melhores livros da literatura americana. A história é narrada em primeira pessoa com uma prosa poética e encantadoramente carregada de emoção, onde Grendel (o monstro meio humano) conta sobre sua infância e como passou a observar os seres humanos: assistindo o crescimento de sua civilização, o aparecimento do rei Hrothgar e a maneira como ele consegue transformar pequenas vilas em um grande e próspero reino através de guerras constantes e cobranças de tributos em troca de protecção. Tudo que vê, observando por tanto tempo os homens, faz Grendel ter sentimentos ambíguos com relação a eles e quando tenta se apresentar de forma pacífica e é afugentado com violência, torna-se cada vez mais brutal: deleitando-se enquanto arranca, membros, cabeças e bebe o sangue de suas vítimas. Grendel revela a hipocrisia da civilização humana que pratica incontáveis atrocidades enquanto recria, através da bela e poética narrativa dos bardos, histórias cheia de atos heroicos e majestosos; que na verdade, não passam de revisões dissimuladas de um passado sangrento. Grendel é considerado um monstro pelos homens, mas para Grendel: os monstros são eles. Esse é um livro profundo, com um personagem existencialista que é forçado à solidão por sua condição de monstro e que abraça o cinismo, tornando-se indiferente à existência de algo além do que experienciou ao longo de sua vida. Gardner nos leva a sentir a solidão de Grendel e enxergar, através de seu ponto de vista, a verdade sobre o bem e o mal na natureza humana. Para ele: os homens não passavam de animais pensantes vestidos de antigas ilusões e que não enxergavam sua insignificância pouco heroica. Senti empatia e aversão por Grendel, mas consegui compreender totalmente o vazio e a solidão que o aprisionou, levando-o ao sofrimento e à loucura. Grendel é um livro majestoso, com uma escrita poética e encantadora, com descrições gráficas e sangrentas dos ataques bárbaros e impiedosos dos homens e do monstro: causando, simultaneamente, fascínio e repulsa; mas que carrega uma atmosfera filosófica, envolvente e magnética que me prendeu e maravilhou. Favoritei e acho que é o meu livro preferido do ano inteiro. Recomendo muitíssimo essa leitura.

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