The Race for What's Left - The Global Scramble for the World's Last Resources

    Michael Klare

    Picador
    2012
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9781250023971

    The world is facing an unprecedented crisis of resource depletion---a crisis that encompasses shortages of oil and coal, copper and cobalt, water and arable land. With all of the Earth’s accessible areas already being exploited, the desperate hunt for supplies has now reached the final frontiers. The Race for What’s Left takes us from the Arctic to war zones to deep ocean floors, from a Russian submarine planting the country’s flag under the North Pole to the large-scale buying up of African farmland by Saudi Arabia and other food-scarce nations. With resource extraction growing more difficult, the environmental risks are becoming increasingly severe---and the intense search for dwindling supplies is igniting new conflicts and territorial disputes. The only way out, Michael T. Klare argues, is to alter our consumption patterns altogether, a crucial task that will be the greatest challenge of the coming century.

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    Gustavo Krébis17/07/2020Resenhou um livro
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    Lutando pelo que ainda resta - e levando o planeta junto

    Que a sociedade industrial na qual vivemos é completamente dependente do petróleo não parece ser novidade pra ninguém. Que, além dele, necessitamos de outros combustíveis fósseis (gás, carvão) e de uma série de recursos minerais essenciais para manter o funcionamento do sistema econômico mundial, também é bastante sabido. O que talvez nos surpreenda saber é que obter esses recursos mundo afora para suprir uma demanda em rápida ascensão está cada vez mais difícil - e perigoso. Esse é o ponto de partida de The Race for What’s Left (A corrida pelo que resta). Recursos naturais que até ontem estavam amplamente disponíveis e que alicerçaram o desenvolvimento das sociedades modernas, hoje enfrentam um processo rápido de declínio em seu ritmo de produção. O chamado pico do petróleo já chegou para boa parte das maiores reservas das quais dispúnhamos e será cada vez mais improvável que estas deem conta de suprir a demanda mundial. Com isso em mente, potências mundiais e grandes corporações petrolíferas têm depreendido enormes esforços - e montanhas de dinheiro - na busca das reservas de combustíveis fósseis restantes, que jazem a grandes profundidades sob o oceano, em bacias no clima inóspito do Ártico ou no subsolo de países politicamente instáveis. Além das dificuldades técnicas imensuráveis, a extração dessas riquezas tem levantado questões políticas espinhosas (como fronteiras marítimas mal definidas e alianças obscuras), e preocupações ambientais contundentes. A situação para os minérios não é menos complexa. Grupos de poder econômico, político e militar vão cada vez mais longe nos rincões do planeta para encontrar elementos (metais, principalmente) indispensáveis para a produção e funcionamento de nossos bens de consumo, entre eles nossos sempre presentes dispositivos eletrônicos e de alta tecnologia. Nessa busca, contribuem com a destruição do pouco de floresta que ainda há espalhada pelo mundo e com a desestabilização política de países pobres - surpreendeu (mas nem tanto) saber que o Afeganistão possui jazidas consideráveis de recursos minerais que, após a guerra no país, se tornaram possíveis de serem exploradas. Apesar de preocupantes, no entanto, nenhuma destas batalhas por recursos é mais dramática que a disputa por terras agricultáveis. Países ricos compram grandes extensões de terra em nações em desenvolvimento para cultivar alimentos que serão enviados de volta - enquanto guardas armados de fuzis protegem os silos lotados de grãos da população nativa faminta. Ainda pior, especuladores privados compram tais terras como investimento financeiro, sabendo do retorno garantido que terão conforme esse recurso se torna escasso. “Para estes bancos e investidores”, coloca o autor, “a escassez de terras é apenas mais um meio de obter lucros, e o risco da fome no mundo em desenvolvimento cada vez mais removido da conta”. O exemplo mais marcante fica por conta de uma transação entre o governo de Madagascar, na África, e uma empresa sul-coreana que chegou bem perto de adquirir nada menos que metade das terras agricultáveis do país (o negócio só não foi realizado pela resistência do povo do país, que levou à queda do governante). Apesar da crueza da situação descrita no decorrer das páginas, o autor tenta enxergar uma luz no fim do túnel, ao sugerir que o uso de tecnologias renováveis e o emprego de processos ultra-eficientes possam ser considerados, no futuro, vantagens competitivas que nos levem a deixar para trás nossa dependência dos recursos esgotáveis (e inclusive nos permitam produzir mais alimentos e combater a fome). No entanto, como ele próprio assume, essa solução parece, no momento, um tanto utópica e a “corrida pelo que resta” não deve acabar tão cedo - e nem ter um final muito bonito.

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