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    O Touro do Rebanho

    krishnamurti Góes dos Anjos, Krishnamurti Góes dos Anjos

    Chiado Editora
    2013
    317 páginas
    10h 34m
    ISBN-13: 9789895105137
    Português Brasileiro
    4.6
    5 avaliações
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    SINOPSE: O Romance O Touro do Rebanho - Memória da Sedição dos Alfaiates de 1798 na Bahia onde se deduz as elementares razões para a pena de enforcamento e esquartejamento de quatro pobres homens do povo, proferida por uma corte de magistrados devassa e corrupta, do escritor baiano Krishnamurti Góes dos Anjos e editado pela Chiado Editora de Lisboa, foi o vencedor do prêmio Internacional José de Alencar da União Brasileira de Escritores/RJ em 2014. Ambientado em uma das épocas mais conturbadas da história brasileira e portuguesa, fins do século XVIII e duas primeiras décadas do XIX, o romance traça um painel histórico em que o fluir dos acontecimentos se entretece nas relações Colônia x Metrópole imersas numa conjuntura de guerras, sedições, piratarias, invasões francesas à Portugal, transferência da corte portuguesa para o Brasil e finalmente a Independência brasileira. Baseando-se em documentos reais, nunca publicados, a obra mostra como a Relação da Bahia, concebida para ser a mais alta corte que se poderia recorrer no Brasil, e que julgou os réus acusados da sedição de 1798, chega ao final do século XVIII em um estado de corrupção moral tamanha, que recebeu viva repreensão do próprio Conselho Ultramarino de Lisboa. Prova a existência de um plano do chefe da Divisão das Armadas Navais da República Francesa para o apoio militar que aquela nação daria à Conjuração Baiana, e finalmente, aponta para os fortes indícios da participação de elementos ligados à Conjuração mineira de 1789, na conjuração baiana, sugerindo articulações políticas entre esses movimentos pela Independência do Brasil. Mais uma aposta de que a historia é um romance verdadeiro.

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    Krishnamurti Góes dos Anjos05/09/2022Resenhou um livro
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    CONSIDERAÇÕES OPORTUNAS SOBRE O PRÓXIMO 7 DE SETEMBRO

    A proximidade das comemorações do 7 de setembro quando relembramos o bicentenário da tal da Independência do Brasil do jugo português, particularmente me leva a outras lembranças que se afiguram muito positivas e relativas à publicação de meu romance histórico “O touro do rebanho”. Publicado no Brasil e em Portugal pela Editora Chiado de Lisboa em 2014, o livro recebeu naquele ano, o Prêmio José de Alencar do Concurso Internacional de Literatura promovido pela União Brasileira de Escritores UBE/RJ na categoria melhor romance. Creio que à essa altura é obra esgotada, porque dias desses busquei por um exemplar que só encontrei para compra, em sebos e a preços exorbitantes. Se por um lado, sou tocado pela alegria dos acontecimentos que envolveram aquele livro, por outro, sou tomado de profunda tristeza porque não há como deixar de reconhecer que de 2014 para cá, o nosso país entrou em uma manifesta, terrível e acentuada decadência. Em todos os níveis. Refletir sobre a confluência de tudo isto no crucial momento que estamos a viver, parece-me bastante oportuno. Chamo a atenção – dos leitores mais afoitos –, que o texto segue acompanhado de documentos originais portugueses e brasileiros de um arco temporal que cobre os anos de 1798 a 1823 e que, para a maioria esmagadora das pessoas, são completamente inéditos. As datas referidas acima significam respectivamente a da conjuração baiana que passou à história como a Conjuração dos Alfaiates na Bahia e a Independência do Brasil. São documentos dramáticos que refletem bem a nossa situação naquele período. Portanto vale a pena a leitura e detida reflexão. Ainda em 2014 escrevi para uma revista universitária da área de história um texto sobre o romance que segue reproduzido em parte, somente para que o leitor se situe sobre a obra em si. “Todo livro tem uma história. A desse começou há exatos oito anos, tempo que levei para compô-lo. Durante esse período dediquei-me o quanto pude às pesquisas e detidas reflexões a respeito desse obscuro episódio da história brasileira, sempre muito mal explicado pela chamada historiografia oficial. A Conjuração dos Alfaiates ocorrida em fins do século XVIII – precisamente no ano de 1798. O enredo da trama é simples: um narrador solitário perseguido por amargas lembranças escreve suas memórias para tentar interpretar os acontecimentos da Sedição. Aos poucos vamos tomando conhecimento de que o tempo da escritura das memórias é o ano de 1823, em plena guerra civil pela Independência do Brasil que se estabelece na província da Bahia. Acompanhamos o fluir da memória, a sutil transformação na matéria prima deste romance. O tempo. Aquele que escorre em um presente dolorosamente tributário de um passado que o protagonista – representante de uma elite leviana que desperdiça sua existência em ambições mesquinhas de alcançar a nobreza da terra -, ilumina pelo viés de fina ironia e pessimismo amargo, ao dar-se conta de sua impotência ante uma sociedade na qual os homens buscam apenas os seus interesses pessoais. E que sociedade era aquela de fins do setecentos? Uma colônia dominada por Portugal que por sua vez era beneficiado pela cobrança extorsiva de impostos e pela reexportação de produtos coloniais. Assim o Brasil e sua hierarquia social contribuíam para preservar o ancien regime em Portugal, não para transformá-lo. Tratava-se do “projeto arcaizante” de uma metrópole, controlada por sua aristocracia, aliada aos comerciantes aristocratizados, enquanto uma nova burguesia nativa, não ameaçasse a ordem estabelecida. Era o capital mercantil apoiado na escravidão, e consolidando o antigo regime. Precisamente nesta encruzilhada do tempo, ocorre a Conjuração dos Alfaiates.” Voltemos a 2022. Quais as relações do passado com o que estamos a viver hoje? A primeira e elementar é que, em verdade, nossa existência enquanto país, tem sido – e somente o uso de gírias pode dar a exata dimensão –, uma sucessão infindável de panos quentes, de lixos varridos para debaixo de tapetes, de tentativas de tapar o sol com peneiras, de acordos espúrios, de negociatas políticas, pactos de elites e de ladroeiras de toda a espécie. A História da humanidade já deu inúmeros e irrefutáveis exemplos de que não se pode procrastinar problemáticas sociais indefinidamente. E no caso brasileiro, o estado de coisas a que estamos chegando é evidência inconteste. Basta abrir os olhos e mirar ao redor. O Brasil nunca produziu uma verdadeira e essencial revolução. Uma que definitivamente mudasse o rumo das coisas, que redimisse nossos erros do passado, algo que venha afinal nos constituir como um povo senhor de seus destinos. Em que pese os avanços ocorridos – que ninguém é tão louco a ponto de negá-los – nossa história é um imenso, um descomunal rosário de permanências das injustiças. A causa primeira disto, a mais elementar, que propicia tais permanências – estou falando no sentido mais PROFUNDO –, é o próprio desconhecimento de nossa história. A independência que em poucos dias se considerará bicentenária foi proclamada pelo próprio Pedro I (um português) e, em algumas províncias como a Bahia, não foi acatada de pronto, o que deu origem ao que conhecemos hoje como Guerra da Independência do Brasil, composta por conflitos travados isoladamente em algumas províncias como aconteceu de modo brutal na Bahia. O fato é que o tal do Grito do Ipiranga manteve a monarquia de portugueses por mais 77 anos. Manteve a abjeta escravidão por quase igual período, e finalmente meteu-nos numa espécie de semicolonialismo inglês. No próximo 7 de setembro certamente faremos um estardalhaço de desfiles, discursos e mais desfiles, que farão evidenciar um país (polarizado e dividido) que está descalço, um país que precisa avançar, e muito. Uma data que vem sendo ao longo do tempo, usurpada como episódio da história do povo e como memória do povo. É notório que a independência brasileira não resultou de uma revolução que definisse um ator coletivo, uma sociedade rebelada contra a dominação colonial, agindo como sujeito social e político. O povo sempre em posição subalterna. Um povo conformista e manipulado. A história das revoluções brasileiras não é uma história do povo. É a história do que interessou a grupos hegemônicos, ou das forças armadas, uma história de imposições não uma história de verdadeiras conquistas sociais e políticas. Nossa tão propalada democracia é hoje uma triste gangorra que alterna anos de governos progressistas, com tímidas políticas sociais, para anos nos quais se pratica golpes que fazem a história andar para trás com boa parte da população lançada no desemprego, na fome, no desespero. A tal da classe dominante optou em manter o país submisso aos Estados Unidos, e volta com toda força ao velho modelo primário exportador, muito conveniente aos capitais financeiros. Entramos em franca desindustrialização que destruiu boa parte do que foi feito até aqui. E sem indústrias, o Brasil não tem como garantir empregos, salários, aposentadorias e políticas públicas de bem-estar social para sua população. O Brasil precisa de uma nova independência. Melhor; precisa de uma verdadeira Independência que construa um país verdadeiramente democrático, que revalorize a racionalidade, a institucionalidade e o decoro na política. Que por Deus! se construa mínimos consensos civilizatórios entre setores da esquerda e da direita liberal visando reconstruir políticas públicas voltadas para a inclusão social e isolar – política e institucionalmente – esse espúrio autoritarismo de extrema direita que nos ameaça. E vale registrar que se faz também necessária grave reflexão crítica quanto aos erros do PT que afinal desembocaram no governo que aí está. Necessitamos urgentemente compreender, e nos persuadir profundamente, que não estamos mais em épocas de enforcamentos e esquartejamentos públicos, que é inaceitável atravessar com baionetas uma religiosa na porta de um convento como aconteceu à Joana Angélica na Bahia em 1823, que não se pode continuar matando gente à torto e a direito, que as favelas atuais acabam por constituir mero sinônimo atualizado de senzalas. Não há mais como aceitar passivamente que o egoísmo econômico de uma dúzia leve milhões de seres humanos a mais completa miséria física e intelectual. Falta-nos a elementar união dentro do sentido de coletividade. Nosso cenário político com trinta e tantos partidos políticos está mais para agremiações de escolas de samba ou times de campeonato brasileiro de futebol. Tudo isto tem nos levado a guerras e guerrilhas civis em violência desenfreada, que acaba por atestar a nossa mais completa estupidez. Acatar a permanência de um estado de coisas assim como fatalidade democrática – como alguns falam e pregam abertamente –, é pior do que reviver um passado de dor e sofrimento. É entregarmo-nos definitivamente à estupidez da barbárie. Pensemos nisto. 05/09/2022. EM TEMPO: O fragmento de texto relativo ao livro, transcrito acima e de minha autoria, está publicado em: Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia V. 5, N.1, Janeiro-Julho de 2014. A obra, além de vencedora no ano de 2014 do Concurso Internacional de Literatura, categoria romance da União Brasileira dos Escritores UBE/RJ, recebeu generosas resenhas críticas da Doutora em Estudos Literários (UFPR) Eunice de Morais, publicada na Revista Muitas Vozes. v. 5, n.1, p. 193-195, 2016. “GÓES DOS ANJOS, Krishnamurti. O Touro do Rebanho. Lisboa: Chiado Editora, 2013. 316p.” e da Doutora Marilene Weinhardt da Universidade Federal do Paraná/CNPq – “O Brasil Colônia na ficção contemporânea d’aquém e d’além-mar”, publicado na Revista Navegações-Ensaios v. 9, n. 1, p. 31-38, jan.-jun. 2016. Links para os textos na íntegra: https://www.revista.ueg.br/index.php/revista_geth/article/view/2774 https://revistas.uepg.br/index.php/muitasvozes/article/view/9733 https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/navegacoes/article/view/25095

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    Krishnamurti Góes dos Anjos

    Krishnamurti Góes dos Anjos. Escritor, Pesquisador, e Crítico literário. Autor de: Il Crime dei Caminho Novo – Romance Histórico, Gato de Telhado – Contos, Um Novo Século – Contos, Embriagado Intelecto e outros contos e Doze Contos & meio Poema. Tem participação em 27 Coletâneas e antologias, algumas resultantes de Prêmios Literários. Possui textos publicados em revistas no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Panamá, México e Espanha. Seu último livro publicado pela editora portuguesa Chiado, – O Touro do rebanho – Romance histórico, obteve o primeiro lugar no Concurso Internacional - Prêmio José de Alencar, da União Brasileira de Escritores UBE/RJ em 2014, na categoria Romance. Colabora regularmente com resenhas, contos e ensaios em diversos sites e publicações, dentre os quais: Literatura BR, Homo Literatus, Mallarmargens, Diversos Afins, Jornal RelevO ,Revista Subversa, Germina Revista de Literatura e Arte, Suplemento Correio das Artes, São Paulo Review, Revista InComunidade de Portugal, Revista Laranja Origina e Revista Fórum. ///

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