Carol Bensimon tem uma inquietação que perpassa muitos dos seus livros. Ao menos, os que li da autora até agora trazem sempre como pano de fundo, cenário ou mesmo co-protagonista, as transformações urbanas e a relação das pessoas com as cidades, seja aquelas onde vivem ou por onde andam de visita.
<b>Sinuca embaixo d´água</b>, seu primeiro romance, embora tenha como eixo central da história o luto de sete jovens por uma amiga morta precocemente de forma trágica, tem a cidade, mais especificamente a especulação imobiliária na vizinhança onde os protagonistas moram, como cenário onde se desenrola esse pequeno drama sobre perdas.
O luto é tanto pela amiga quanto pelo fim da infância (inocência, talvez?), pela transformação dos lugares aos quais são apegados afetivamente, pelos sonhos abandonados entre o fim da adolescência e o começo da vida adulta, pela falta de sentido da vida...
Este é um romance trágico, que deixa um travo na garganta, desalentado e muito belo em toda a sua perdição. É o canto do cisne das antigas vizinhanças onde todo mundo se conhecia e, ao mesmo tempo, um réquiem para a geração millenial.
Já <b>Uma estranha na cidade</b>, primeiro livro de não-ficção da autora, é quase como conversar com Carol sobre os muitos temas que angustiam essa geração. E, mais uma vez, aqui as pequenas crônicas da autora têm a cidade e as suas constantes mudanças, mortes e renascimentos - para o bem e para o mal - como tópico central que a leva a refletir sobre outros aspectos da condição humana.
Viver a cidade, morar na cidade, amar, trabalhar, decepcionar-se, perder espaço (calçadas), fazer novos amigos, rever antigas amizades, alegrar-se, comover-se com uma paisagem, detestar engarrafamentos, fazer uma pausa para o café, para respirar, tudo o que a vista alcança e o corpo abraça ou rejeita, pulsa nos textos transparentes de Carol.
Ler essas crônicas é como seguir a #fadasensata das redes sociais e, ao mesmo tempo, ouvir a irmã mais ajuizada, aquela que te dá bons conselhos misturados com chacoalhões necessários para acordar para a vida e o entorno...
<b>Sinopses:</b>
<i>Sinuca embaixo d´água</i> - Conta a história de um grupo de sete amigos e vizinhos de bairro que lidam com o luto pela morte de uma oitava amiga, em um acidente de carro. Todos são jovens, estão desiludidos e precisam trabalhar essa perda ao mesmo tempo em que a própria vizinhança deles vai se reconfigurando com as alterações urbanísticas na cidade onde vivem...
<i>Uma estranha na cidade</i>- É o primeiro livro de não-ficção de Carol Bensimon e reúne uma coletânea de crônicas da autora sobre as transformações das cidades, o espaço das pessoas nas zonas urbanas em constante transformação, tecnologia, novos padrões de consumo, amizades, questões de gênero e outros temas. É bem interessante essa viagem pelas ideias da escritora sobre a vida e o cotidiano...
<b>Fichas Técnicas:</b>
<i>Sinuca embaixo d´água</i>
Autora: Carol Bensimon
Editora: Companhia das Letras, 2009
144 páginas
R$ 50,72 (livro físico, Amazon) e R$ 29,90 (e-book, Kindle)
<i>Uma estranha na cidade</i>
Autora: Carol Bensimon
Editora: Dublinense, 2016
144 páginas
R$ 36,28 (livro físico, Amazon) e R$ 35,90 (e-book, Kindle)
O aplicativo BibliOn tem os dois e-books para ler de graça, mediante sistema de empréstimo para leitores cadastrados no serviço.
>>Escrevi uma resenha única para os dois livros porque quis explorar a 'coincidência' de tema/cenário das obras - a relação com a cidade - e, ainda, por serem livros de estreia em dois gêneros diferentes - romance e crônica - da mesma autora
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*Livros lidos para o desafio #50livrosate50anos, uma brincadeira que criei para comemorar meu aniversário. Em abril de 2024 eu faço 50 anos. A ideia é ler 50 livros até lá e, se possível, resenhar ou fazer algum breve comentário aqui no Skoob e no Instagram, sobre cada um deles. Sinuca embaixo d´água e Uma estranha na cidade foram, respectivamente, os livros 14 e 15, do desafio.