Um relato minucioso da tragédia que mudou a fisionomia da alma do povo de Israel. O povo enlutado e envergonhado, lembrou da declaração do soldado-pacificador Rabin, numa de suas últimas entrevistas; Um judeu não mata outro judeu . Neste livro, polêmico, combinação de jornalismo, história e biografia, é apresentado um painel sobre os pioneiros que construíram e defenderam o Estado de Israel, a heróica decisão de negociar com os adversários e, por fim, o comovente funeral, quando o mundo assistiu, perplexo, o fratricida da história judaica.
Yitzhak Rabin - O soldado da paz
Equipe do The Jerusalem Report
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Desde que entrei na Faculdade de Historia, os livros jornalísticos se juntaram aos biográficos de relaxantes, ou, pra usar um termo da comunidade, aquele que quebra a ressaca literária. Se tratam de textos limpos, sem referências; que não se amparam em conceitos aos quais preciso parar para refletir; e por fim, servem para atiçar a curiosidade e apontar possibilidades de pesquisa ou aprofundamento político. Infelizmente, esses livros às vezes acabam servindo pelo contra-exemplo, e esta reportagem-biografia de Yitzhak Rabin é uma delas. Yitzhak Rabin foi um militar e premiê do Estado de "Israel", o qual se notabilizou por conseguir alcançar um acordo de paz com a OLP de Yasser Arafat, sinalizando, ao olhar de muitos, um fim ao brutal genoc- digo, conflito Israel-Palestina. Porém, tais esforços foram sabotados em dezembro de 1995 com o assassinato de Rabin por um judeu sionista ultradireitista e ultranacionalista, gerando grande consternação mundial, e foi pegando carona nessa repercussão que um grupo de repórteres (ou a redação inteira? Não me lembro) do The Jerusalem Post, um dos maiores periódicos locais, preparou uma reportagem biográfica feita a toque de caixa, e quem ler nota bem o quanto "a toque de caixa" resume bem esse livro. Como reportagem, considerei fraca. Ainda que não caia no infame jornalismo declaratório (afinal, se trata de uma figura histórica morta em pleno exercício de poder), a reportagem é muito protocolar quanto ao passado militar e à vida pessoal do premiê. Fiquei com a impressão que, apesar da autoria coletiva, não foi feito um grande esforço de cobrir informações inéditas ou que não fossem notórias. Sendo assim, a leitura do livro dá um ar de insosso, principalmente nas partes que mostram as negociações que levaram aos Acordos de Oslo. Como um documento biográfico-histórico, a situação tampouco melhora. Por se tratar de jornalistas, que escreveram o livro logo após a morte do biografado, a parcialidade e a passionalidade são evidentes, e os autores carecem (ou sonegam) o arcabouço crítico para digerir as informações que vão se apresentando. Um exemplo é a publicização (não chega a ser uma revelação, mas também não era amplamente difundido) da participação de Rabin na Nakba, descoberta a partir de uma "autocrítica" dele já nos anos 1970-1980. O livro tenta enquadrar essa postura como humilde e empática, quando na verdade isso no mínimo deveria render uma prisão ao biografado - infelizmente isso não ocorreu porque os nossos escritores nada sabem sobre Justiça de Transição, muito menos tem uma posição realmente consequente no "conflito" Israel-Palestina (os repórteres se aproximam de um sionismo mais liberal). As políticas internas liberais de Rabin enquanto primeiro-ministro na década de 90 também são glorificadas, por mais que isso representasse um grande giro à direita em relação ao Partido Trabalhista e ao próprio governo Rabin na década de 70, mas estávamos nos anos 90, período áureo da euforia liberal, então relevem. Até mesmo o registro iconográfico do livro é bastante fraco, sem fotos inéditas e boa parte delas concentradas no período em que Rabin já tinha trocado a farda pelo parlamento. Em suma, o livro é um monumento de sua época, no pior sentido imaginável. Biografar uma personalidade histórica quando ela estava recém-falecida e ainda sob forte emoção na opinião pública; um fraco jornalismo que não está preocupado em apurar, e sim legitimar um dos grandes baluartes da construção nacional israelense; e um retrato do progressismo vulgar da década de 1990, quando se acreditou que opressor e oprimido poderiam perdoar o imperdoável - só esqueceram de combinar com o (atualmente dominante) sionismo ultranacionalista, que não arreda um palmo sequer. E portanto, nem deveria fazê-lo os palestinos. *Edição brasileira é da Nova Fronteira, com prefácio (ou orelhas? não me lembro) de Alberto Dines. Edição atualmente fora de catálogo
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