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    Prisão e Liberdade (Para Entender Direito)

    Rubens R. R. Casara

    Estúdio Editores.com
    2014
    96 páginas
    3h 12m
    ISBN-13: 9788567776149
    Português Brasileiro
    4
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    A história do processo penal foi escrita a partir de dois fenômenos: a “liberdade” e a “prisão”. A liberdade (inerente ao homem) e a prisão (essa construção de uma cultura que viu utilidade em permitir que pessoas possam enjaular outras pessoas) tornaram-se conceitos instrumentais ao exercício do poder. Há, no processo penal, nessa tentativa nem sempre exitosa de racionalizar o uso do poder de punir, sempre um drama, episódios de conflito, anseios de liberdade e desejos de punição. No Estado Democrático de Direito, marcado tanto pela existência de limites ao poder quanto pela necessidade de concretização dos direitos fundamentais, deve-se compreender o processo penal como um instrumento voltado, para além da persecução penal, à concretização do projeto constitucional de vida digna para todos. Não se pode esquecer que, ao menos no Estado Democrático de Direito, a função das ciências penais, e do processo penal em particular, é a de contenção do poder. O processo penal só se justifica como óbice ao arbítrio e à opressão. O desafio é fazer com que sempre, e sempre, as ciências penais atuem como instrumento de democratização do sistema de justiça criminal. Compreender que a relação entre “prisão” e “liberdade” revela uma manifestação de poder (e que a contenção do poder é o núcleo da dimensão política do Processo Penal) auxilia na identificação dos elementos e discursos afetados pela tradição autoritária e, assim, permite que a atuação dos cientistas penais e demais atores jurídicos volte-se à realização da democracia. Neste livro, que integra a Coleção para entender direito, a “liberdade” é apresentada como um dos valores da jurisdição penal e do próprio Estado Democrático de Direito, marcado pelo princípio constitucional da presunção de inocência (que também é objeto de atenção nessa obra). Busca-se, ainda, ajudar o leitor a desvelar o fenômeno “prisão” a partir de aportes da história, das ciências sociais, da filosofia e da psicanálise. Para tanto, são expostos o discurso oficial acerca do encarceramento, a funcionalidade real de se colocar seres humanos em jaulas, bem como as características, os requisitos e os pressupostos das várias espécies de prisão

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    Paulo Silas Taporosky Filho picture
    Paulo Silas Taporosky Filho24/07/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Excelente livro. Rápido, objetivo e direito, mas sem deixar de transpor todo o embasamento teórico adequado ao tema. Mais uma obra da coleção "Para Entender Direito" que logra êxito em sua pretensão. O autor transmite de forma precisa todo o aparato referente à liberdade, bem como especifica de modo criterioso as condições quando da necessidade da constrição cautelar. Para tanto, inicia o seu escrito traçando os pontos da prisão e da liberdade como uma questão de poder. A liberdade é exposta como um dos valores da jurisdição penal - ponto esse que recebe capítulo próprio para o seu trato. Deste modo, há a reafirmação e embasamento da liberdade como condição de regra no sistema (diz-se como um todo), sendo a prisão evidentemente a exceção. O fenômeno da prisão também é dissecado em introdução breve, abarcando sua construção histórica nos diversos sistemas jurídicos passados, até que se chegasse em sua estruturação tal qual é conhecida atualmente. A prisão provisória é o tema que ganha destaque, cujo relevo se dá mediante brilhante exposição do autor. Divide-se os tipos de prisão em três: a prisão-pena (aquela que decorre do cumprimento de uma reprimenda estatal definitiva), a prisão em flagrante (pré-cautelar) e a prisão cautelar (prisão processual) - cada qual exigindo suas particularidades para que o ato seja legítimo e idôneo, cujos requisitos são devidamente expostos na obra. O autor lança comento e análise sobre todos os pontos estruturais das prisões, a fim de situá-los de modo sistemático para que o trato do tema seja realizado de forma criteriosa. Assim, há a menção sobre os tipos de flagrante reconhecidos pela legislação, doutrina e jurisprudência, os requisitos para a decretação da prisão preventiva (com a exposição da necessidade da adequação aos princípios que regem a matéria, bem como dos requisitos propriamente ditos e necessários para tanto, tal qual o "periculum libertatis" e o que prevê o artigo 312 do Código de Processo Penal), comentários sobre a prisão temporária e demais abordagens sobre o tema das prisões. O autor, além da exposição técnica, tece ainda críticas e considerações sobre todos os pontos abordados, calcado em farto referencial teórico bibliográfico, sem deixar de lado suas esperanças humanitárias. O livro é muito bem escrito. Singelo ao seu modo, mas sem pender para a superficialidade. Profundos comentários sobre um tema de grande importância, alcançando sua base estrutural e seu viés histórico, de modo que a obra vai para muito além de um simples apanhado de conceituações. Excelente. Recomendo!

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    Rubens Roberto Rebello Casara profile picture

    Rubens Roberto Rebello Casara

    Juiz de direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, doutor em Direito, mestre em Ciências Penais, professor no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu (mestrado) em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca/Fundação Oswaldo Cruz; professor na PASSAGENS - Escola de Filosofia, ex-coordenador de Processo Penal da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, membro da Associação Juízes para a Democracia e do Corpo Freudiano - Escola de Psicanálise.

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    8 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Rubens Roberto Rebello Casara