Atende ao propósito
Por ser infantil, é uma introdução razoável à vida do escritor. No final, entretanto, me incomodou a seguinte frase: “Monteiro Lobato brigou por suas ideias e opiniões. Trabalhou muito, sempre pensando no Brasil”. O tornou uma figura quase que glorificada, romantizada, ignorando que foi ele quem fez uma crítica pública à Anita Malfatti durante a Semana da Arte Moderna - comparando suas obras com as que residem nas paredes de manicômios, afirmando que essas ainda possuem algum sentido, diferentemente dos quadros de Anita. Ignorando também que ao desenhar a famosa personagem “Tia Nastácia”, inspirada em uma mulher ex-escravizada que trabalhava em sua casa, reforçou caricaturas racistas e zoomorfizadas. Monteiro Lobato, apesar da marca deixada na literatura infantil, não deve ser glorificado e posto como algum “herói” ou “coitado”, pois tomou rumos que mudaram a história do Brasil, os quais devem ser vistos, hoje, com olhar crítico. O restante do livro foi divertido de ler para entender o processo de criação dos personagens, mas esse final em particular me chamou atenção.
