Há pouco mais de uma semana recebi o livro Quem é Anita? Assim que recebi o convite para conhecer a obra de Diane Cafero tive aquela sensação de algo muito bom estaria por vir e, felizmente, minha intuição mais uma vez, não me deixou na mão. Foi paixão à primeira vista. Achei a premissa do livro interessantíssima e a capa valorizava ainda mais a obra como um todo. É engraçado como certos livros chegam a nós de forma inexplicável. Senti desde o primeiro momento de que Diane Cafero se tornaria uma das minhas autoras favoritas.
Quem é Anita? surge como uma proposta bem inusitada. O livro nos apresenta uma narrativa leve e bem estruturada. Inicialmente somos apresentados ao personagem Wellington que no seu trigésimo quarto aniversário está à beira de um colapso devido à vida medíocre que leva. Wellington é um profissional frustrado, apesar de aparentemente demonstrar exatamente o contrário. Wellington trabalha na empresa Arquitetos & Associados dirigida pelo manda chuva o sr. Vicente Sobrado, ou “manda embora” como muitos o conhecem.
Todos os funcionários estão reunidos para conhecer o novo chefe arquiteto-chefe da empresa, mas Wellington é o único que não está aí para tal nomeação. A única coisa que toma conta dos pensamentos de Wellington é a notícia da morte de seu tio Saulo que suicidara na mesma data de seu aniversário de 34 anos. Como toda desgraça é pouca, Wellington sofre um momento angustiante em plena sala de reunião. Enquanto todos estão ali ansiosos com a nomeação do novo chefe, Wellington tem uma experiência extracorpórea onde ele consegue se transportar para o passado. No quarto ele consegue enxergá-lo ainda quando era apenas um adolescente cheio de sonhos.
Wellington tem muitas perguntas a fazer ao seu “eu” mais jovem. Uma delas seria: Quem é Anita? Qual é o seu paradeiro? Wellington carregara essa angústia por todos esses anos e agora, ele terá a oportunidade de desvendar o motivo de seu desaparecimento. Pouco se sabe sobre Anita. Quando adolescente Wellington mantinha uma paixão platônica por Anita, pois ele nunca tivera a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. Anita era apenas uma jovem misteriosa com quem ele mantinha conversas pelo Facebook. Isso fora o bastante para tornar Anita a coisa mais importante de sua vida.
Agora Wellington tem a chance de reviver momentos importantes do seu passado e retomar um sonho antigo da adolescência. O único problema é que isso poderá afetar diretamente o rumo do seu futuro. Entre diálogos repletos de sarcasmo e ironia vamos acompanhar o redescobrimento de um homem que há muito tempo deixara de acreditar em seus sonhos.
Quem nunca desejou ter a oportunidade de voltar no tempo para consertar os erros cometidos no passado? Pelo menos metade da população adoraria estar no lugar de Wellington. Mas quando descobrimos que não existe uma fórmula mágica para tal, o que nos resta é colocar as mãos na consciência e, certamente, muitas respostas virão.
Assim como Wellington tem muita gente que vive se lamentando pela vida que tem, sem ao menos se dar conta de que é o único responsável pelo seu próprio fracasso. O ser humano tem essa mania de transferir para o outro a responsabilidade pelo seu sucesso. Parafraseando Antoine de Saint-Exupéry “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Alguém discorda?
Em “Quem é Anita?” somos levados o tempo todo a refletir sobre nossos atos e escolhas. Aliás, eu diria que a autora vai além ao que diz respeito à consciência do ser humano. O livro aborda de forma direta, objetiva e peculiar o comportamento humano. Por meio do personagem Wellington a autora constrói uma narrativa incrível para debater sobre temas importantes. Wellington fora um jovem preconceituoso em muitas situações, ainda que ele nunca admitisse seu comportamento hostil. Ao se tornar adulto Wellington se transformara em um homem frustrado, triste e acomodado. O fato de não se relacionar muito bem os pais tornaram as coisas ainda mais difíceis. E isso foi determinante para que Wellington se ancorasse na ideia de que nada mais valeria a pena.
É difícil não se envolver com a narrativa de Diane. Ao longo da narrativa vamos acompanhando os altos e baixos da vida de Wellington torcendo para que ele desperte para a vida. A leitura de Quem é Anita? é extremamente enriquecedora pois conseguimos compreender a mensagem da autora logo nos primeiros capítulos. Inicialmente me perguntei como a figura de Anita seria inserida dentro da narrativa tendo em vista, que os primeiros capítulos são voltados para a vida adulta de Wellington.
Confesso que tive receio de que a autora pudesse se perder em meio a tantos questionamentos. Contudo, eu diria que foi exatamente as reflexões existenciais a que Wellington se propõe que tornam a narrativa de Diane Cafero tão especial. Os diálogos entre Wellington e seu “eu” do passado permitem que o leitor possa compreender as mudanças sociais e comportamentais inseridas na narrativa. Foi muito divertido imaginar que Facebook era coisa do passado e que ninguém mais utilizava dinheiro para adquirir seus bens. Outro ponto que merece destaque é a personificação dos personagens apresentados na narrativa.
Assuntos tão em voga como bullying, por exemplo, são apresentados como muita seriedade. O livro discute situações tão corriqueiras que sabemos exatamente pontuá-las em nosso cotidiano. É difícil não tomar partido diante tanta ignorância.
Ao longo da leitura fui marcando diversos quotes que julgava importantes, mas ao perceber que não haveria post-its suficientes para marcar tantas passagens optei por marcá-lo como um dos livros com quotes para o dia-a-dia, aquele livro que independente de qual página você abra ele terá sempre algo a lhe dizer.
Quem é Anita? é um livro sobre autoconhecimento. É um livro curto, mas com enorme carga emocional. Possivelmente você se enxergará em pelo menos uma das situações vividas pelo personagem. O livro tem a missão de nos mostrar que não estamos preparados para lidar com pessoas que “aparentemente” são diferentes. Ele ainda enfatiza a importância de se acreditar em si mesmo para que futuramente não te tornes um adulto frustrado. Anita é aquela que surge para provar que devemos aniquilar de uma vez por todas o preconceito de nossas vidas.
Quero dizer a Diane Cafero que me sinto honrada por ter a oportunidade de conhecer uma obra tão rica quanto essa. Foi mágico e único cada segundo que me dediquei a essa leitura. Certamente passarei muito tempo refletindo a respeito e obviamente indicando a todos os amigos e leitores do blog essa experiência incrível a qual me submeti. Espero que todos tenham a oportunidade de conhecer a obra, pois tudo que é bom deve ser compartilhado.