The People in the Trees é o romance de estréia de Hanya Yanagihara e nos apresenta a figura controversa de Norton Perina, um jovem médico e aspirante a cientista, que é convidado para uma missão em busca de uma tribo perdida, literalmente no meio do nada. Nessa missão, o mesmo identifica uma condição que futuramente vem a ser classificada com uma síndrome, que induz o indivíduo à vida eterna, embora acompanhado da lenta degradação de suas faculdades mentais.
A premissa pode parecer simples, contudo a forma com que esse livro se desdobra é de toda uma genialidade que nem mesmo os vários elogios na contra-capa conseguem resumir. Logo, o que deveria ser apenas uma aventura de um antropólogo e um jovem cientista rapidamente se transforma em uma verdadeira odisséia de nível e classe que nenhum outro autor contemporâneo conseguiu criar algo ao menos parecido.
Hanya exerce uma coragem que muitos de seus colegas autores da modernidade negligenciam. Nesta obra não há espaço para o politicamente correto e a militância desnecessária, é um livro desconfortante, quase que insultuoso e, em algumas partes, até mesmo nojento.
É impossível resenhar algum escrito de Yanagihara sem mencionar o quão esplêndida é a sua prosa: bonita e fluída, configurando-se como um dos pontos mais fortes de quaisquer de seus livros, o que, mesmo na sua estréia, tal qualidade não passa despercebida.
Portanto, The People in the Trees, com seus acertos e deslizes, é certamente um dos melhores livros que já li em toda a minha vida.