Botânica - Carla da Cunha Porto

    não informado

    Devir
    2014
    33 páginas
    1h 6m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    livro de poesia. peça pdf para carlacporto@gmail.com poema da página 21: PORQUANTO O HOMEM IÇA A VELA Vocês não sabem a causa dos mares tantos respeitarem estas largas faixas litorâneas, aquelas emergentes ilhas de luminâncias, algum veleiro mais toda a sorte da embarcação? Aquele toco que bóia, os corpos do naufrágio? Não será pois porque cintilam em seus ouvidos de concha côncava toda a míriade de poemas, octilões de odes e idílios, compostos e erguidos à tanta imensidão azul? Pois a palavra azul mora abissal mas quebra em branca onda quando encontra a reunião de areia ínfima que de tanta e junta é bege e a respeita, desenhando o fronteiriço, a margem continental. Vai vento e volta. Pois palavras mil em ordem e ritmo destinados nadam à teu horizonte longínquo, lá onde a vista alcança mas as mãos não. Talvez a voz sim. Porquanto o homem iça a vela. Por isto estou cá e tú aí erguido e a palmeira ao alísio dança ... e eis estas vestes largas, as longas faixas litorâneas, as caldas e os caudais, longes e emergentes ilhas de luminâncias, algum veleiro em périplo mais toda a sorte da canoa, aquele troço que bóia, os copos do naufrágio, a garrafa, o conter das baleias, o caber nas baías, a balela dos piratas, a única verdade audível, o invisível que há, o argonauta a ir, o ar, o ar...

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