A Suavidade do Vento -

    Cristovão Tezza

    Record
    2015
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788501104007
    Português Brasileiro

    J. Matozo é um misterioso professor de português em uma pequena cidade paranaense. Na solidão de seu pequeno quarto no segundo andar de um sobrado, ele gasta suas horas livres naquilo que pode tirá-lo – ou ao menos destacá-lo – da mediocridade circundante: Matozo escreve um livro. A aspiração de Matozo vai levá-lo a enfrentar a difícil escolha entre alimentar o sonho de se tornar um escritor reconhecido e manter sua posição confortável na sociedade local. Publicado em 1991, A suavidade do vento é uma arguta recriação literária de uma sociedade de regras e pequenas pretensões, que equilibra a tradição realista de uma vertente da literatura brasileira com elementos de fantasia de uma fábula moral. Escrito com a segurança narrativa característica da prosa de Cristovão Tezza, este romance compõe um importante momento na construção de uma das obras mais consistentes da literatura brasileira contemporânea.

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    Marcos Aurélio Carvalho picture
    Marcos Aurélio Carvalho29/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um Paspalho que eu adoraria encontrar

    Josilei Maria Matôzo, ou Jordan Mattoso, busca no I-Ching o empurrão para o caminho já está determinado a tomar. Falta-lhe força, determinação, ousadia, falta-lhe coragem. No apartamento pequeno, desconfortável, ao som de Pink Floyd, encorajado pelo whisky do Paraguai, Matôzo se transforma Mattoso. Não um super herói, mas um retrato de tanta gente. De respostas caladas, de tapas na cara da vida sofrida, do sofrimento, da vida atormentada. Matôzo, que alimenta os monstros, pode ser um paspalho, mas é genuinamente um ser humano do bem. Outro destes exemplares que se contenta com pouco, e se conforta com o que tem, como se fosse o que merece. O I-Ching, a bebida, o jogo, os montros, só fazem mal a si mesmo. Inofensivo, não se dá conta que vive uma solidão acompanhada, que é sua melhor companhia. Sim, Matôzo, amigo de Mattoso, e não os outros que lhe dedicam migalhas de carinho, e respeito. Os outros que retratam um ser humano que prefere dar esmola, a ajudar o próximo a vencer. Matôzo é um dos meus personagens preferidos. O primeiro livro que reli na vida. Cristovão Tezza, um belo escritor. Eu jogaria uma partida de caneco, numa mesa com Matôzo, Cristovão e os monstros. Quem sabe eu levasse os meus próprios monstros.

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