Estabelece o art. 133 da Constituição Federal que “o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”. Lembro-me de que faz muito tempo, mas foi outro dia, começava nos idos de 1996 a minha trajetória na advocacia, em especial na advocacia criminal. Quantas dúvidas tem o advogado iniciante: pouca experiência, faltam clientes, as despesas se somam, as expectativas de todos que acompanharam sua formação acadêmica, enfim, tudo conspira contra o novo bacharel que, após ser aprovado no exame da OAB, passa, ato contínuo, a ostentar a condição de advogado. O início da carreira é, sem dúvida, um momento de grante expectativa, mas também de apreensão. Sim, que Direito o espera? Esse jovem que chega ao mercado para abarcar o mundo logo estaca diante da realidade, e exatamente nesse momento ele precisará de apoio, de segurança, incentivo, orientação. Esse olhar especial sobre a jovem advocacia permeia os sonhos dos advogados que estão chegando à lida forense, e pretende desenvolver e implementar suas habilidades e desenvolver sua carreira de maneira satisfatória, que atenda o que dele se espera. Cada qual seguirá por um caminho: são diversas áreas do conhecimento, diversas formações e na sociedade moderna é inegável a necessidade da especialização, não se perdendo de vista que o nosso maior desafio é o respeito a ética, como forma de estar cumprindo a nossa função social que é essencial à classe. Este livro, “PRESIDENTES: Um olhar especial sobre a jovem advocacia”, organizado pelo baiano Luiz Gabriel Batista Neves, reune um grupo variado de advogados e cada um tece seus comentários e impressões sobre o novo momento da advocacia, abordando diversos aspectos da sua vida profissional, de modo que o leitor, mesmo aquele mais leigo, terá facilidade de entender as nuances da profissão do advogado, sobretudo, a realidade dos colegas que estão ingressando na cerreira. Podemos destacar alguns artigos: Marcos Vinicius Rodrigues, por exemplo, faz um apanhado da jovem advocacia brasileira, e diz que “volvendo ao prólogo desta simplória manifestação, a política atual de apoio ao jovem advogado é segura porque adveio de discussões históricas, de legítimas e longevas postulações dos jovens advogados”. Gener de Souza Serralva Rodrigues traz aos colegas “que advogar não é apenas uma profissão, e sim, um talento, uma realização e um ato de justiça. Sim, Justiça, porque apenas se alcança a justiça com o Direito, e defender os direitos individuais ou coletivos, será sempre o labor do advogado.” Mas antes que alguém já nos questione sobre o que seria “advogar”? Palavra derivada do latim, e conforme entendimento de Hélcio Maciel França Madeira, seria, in verbis: termo técnico inequívoco para designar o apelativo (nome comum aos indivíduos de uma classe) derivado de advocare: o ofício, o exercício de advogar ou patrocinar causas; a corporação, a ordem de advogados de uma cidade. Ao analisarmos a história recente, notamos que desde os anos de 1930 até hoje, a OAB sempre esteve contra os desmandos e na defesa de uma ordem jurídica que expressasse as demandas do País por justiça social, confundindo-se sua história com as mais memoráveis lutas da sociedade civil brasileira no século XX. Evidentemente, o advogado não é um profissional que mereça tratamento privilegiado ou que esteja acima da Lei. Outrossim, a função por ele exercida, privada por excelência, mas de caráter público por natureza, é que merece um tratamento diferenciado. Afinal a classe dos advogados não possui foro privilegiado, ao contrário de outras instituições, e seus integrantes têm pleno conhecimento das disposições legais. Tudo isso, o leitor terá devidamente explicado e exemplicado neste livro por novos talentos da avocacia nacional, que tão sabiamente nos demostram a importância e a grandeza do Direito. Só temos a agradecer e nos sentir honrados por tamanha contribuição. “Destarte, aos estudantes de Direito e advogados iniciantes, é salutar que, além de sua especialização, condição sine qua non para a construção de uma carreira de sucesso, que envide esforços em sua formação complementar, cultural e desenvolvimento interpessoal, pois, apesar destes atributos não serem os de maior peso quando de sua avaliação pelo mercado, certamente, contribuirão sensivelmente na boa reputação do jurista”, diz por fim, o eminente colega Leonardo Araujo Negrelly. Luiz Augusto Coutinho Diretor Geral da ESA/BA - Escola Superior de Advocacia.
Presidentes - Um olhar especial sobre a jovem advocacia
Vários
ESA
2015
299 páginas
9h 58m
ISBN-13: 9788598170060
Português Brasileiro
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