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    O uruguaio (Coleção Otra Língua) - seguido de <i>A internacional Argentina</i>

    Copi

    Rocco
    2015
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788532529831
    Português Brasileiro
    4.2
    15 avaliações
    Leram29Lendo3Querem90Relendo0Abandonos0Resenhas2
    Favoritos1Desejados90Avaliaram15

    Copi é considerado um dos acontecimentos mais originais da literatura argentina dos últimos 20 anos. Desde jovem exilado em Paris, escreveu a maior parte de sua obra em francês entre as décadas de 1970 e 1980, sem alcançar a projeção merecida. Era mais conhecido e apreciado por suas atividades paralelas de cartunista, ator e dramaturgo. Mas, nos últimos anos do século 20, sua ficção foi redescoberta no país natal, traduzida ao espanhol e enfim valorizada por nomes como César Aira e Alan Pauls. Publicado em 1972, O uruguaio é seu primeiro relato; A internacional Argentina, de 1988, o último. Este livro da Coleção Otra Língua, portanto, une as duas pontas da prosa do autor, que na totalidade ainda compreende mais quatro novelas e duas coletâneas de contos. Para o leitor brasileiro, trata-se de uma iniciação para entrar em contato com um escritor nada convencional desde o pseudônimo que adotou: Copi – mais que esconder o cidadão do mundo Raúl Natalio Roque Damonte Botano (1939-1987) – tornou-se uma identidade literária. Escrita originalmente em francês, O uruguaio é uma novela curta que assume a forma narrativa de uma carta, endereçada ao Mestre, num único e só parágrafo, por alguém que assina Copi. A ação é vertiginosa e a linguagem, clara e precisa. Os eventos beiram o surrealismo: o Uruguai, por exemplo, desaparece soterrado pela areia da praia. Depois do cataclisma, o país é pouco a pouco redesenhado no papel (não à toa, o autor era um excelente cartunista), passando como num passe de mágica a existir de novo. Seus habitantes voltam à vida como uma espécie de zumbis, que precisam reaprender a viver normalmente. A imaginação desvairada atinge o ponto máximo quando entra em cena, voando, o papa argentino – um lance profético, pois o livro é de 1972 – que no fim se revela um farsante. A par das reviravoltas na trama, trata-se de um relato muito engraçado, provando que a alta literatura de vanguarda pode, sim, provocar risos ou mesmo gostosas gargalhadas. A Internacional Argentina é um thriller político, com doses de suspense e humor. Uma comédia que desnuda o delírio das conspirações e também se debruça sobre a condição de exilados. Cabe lembrar que a literatura do exílio é uma tradição argentina, de Julio Cortázar a Manuel Puig, passando por Juan José Saer e Rodrigo Fresán. No mundo particular de Copi, quanto mais improváveis são personagens e ações, mais críveis vão se tornando aos olhos do leitor. O vilão de A Internacional Argentina é o milionário Nicanor Sigampa, um “negro colossal” que vive em Paris. Seu objetivo secreto é eleger o próximo presidente da Argentina, e o candidato escolhido é o poeta-narrador. Um dos planos de Sigampa prevê a imigração maciça de negros para a Argentina: “Fiquei entusiasmado com a ideia; sempre pensei que a Argentina sofria de um complexo de inferioridade em relação ao seu vizinho, o colosso brasileiro, pelo fato de não ter raízes negras. Nossa falta de pitoresco nacional vem daí, apesar de todos os nossos esforços para remediá-lo.” A novela, como se pode confirmar por este trecho, é de uma provocação ímpar. Mas, acima de tudo, é uma prova do talento de Copi, que hoje é um dos escritores mais cultuados em seu país.

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    Gustavo Rafhael27/12/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Copi - O início e o fim

    Nesse livro o leitor irá encontrar a primeira e a ultima obra escritas pelo escritor, ator, dramaturgo e cartunista argentino Copi, sendo elas: O uruguaio e A internacional Argentina. O uruguaio é um relato em forma de carta onde o remetente (que leva o nome de Copi) relata a um interlocutor (que ele chama de mestre) em um fluxo de pensamento a situação do Uruguai ao ser atingido por um tsunami de areia que encobre praticamente todo o país e dessa tragédia ele é o provável único sobrevivente. Mas mais adiante o país começa a reaparecer e também pessoas vão recobrando a consciência, porém nada é igual a antes. O mais interessante é a forma da escrita em um único parágrafo, onde o leitor anseia por chegar ao desfecho enquanto tenta entender o que está acontecendo. A internacional Argentina tem como protagonista Dario Copi, poeta argentino radicado em Paris, que é encontrado por um negro milionário e levado ao seio de uma sociedade secreta que tem por ideal financiar e levar Copi de volta a seu país natal, alçando-o a presidente da república. Graças ao teatro eu já havia tido contato com algumas obras dramatúrgicas de Copi, inclusive minha primeira peça foi Uma visita inoportuna, de sua autoria. Lendo O uruguaio e A internacional Argentina é perceptível toda a velocidade dos fatos narrados, o sarcasmo, os acontecimentos que fogem muitas vezes à realidade... Tudo isso são características que o autor emprega também em suas outras obras. Copi ainda é pouco conhecido no Brasil. Contudo vale muito a pena a leitura de seus textos. E nesse ponto o posfácio do livro é muito interessante por contar um pouco da história do autor e falar mesmo que brevemente sobre suas obras.

    4 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 15
    • 5 estrelas47%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Raúl Damonte profile picture

    Raúl Damonte

    Copi é pseudônimo de Raúl Damonte, um "argentino de Paris", como ele mesmo se apresentava. Escritor, dramaturgo, ator e cartunista nascido em Buenos Aires em 1939, mudou-se para a França em 1962 e por lá passou a vida, falecendo em 1987 em decorrência de complicações relacionadas à AIDS. Integrante da trupe teatral fundada por Alejandro Jodorowsky, Fernando Arrabal e Roland Topor, desenvolveu vasta obra dramatúrgica e cartunística caracterizada por César Aira como um "barroco de nosso tempo". No Brasil, teve cartuns publicados pela revista Status nos anos 70, além de reunidas as peças teatrais Eva Perón, Loretta Strong e A geladeira em um volume (7Letras, 2007).

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    Raúl Damonte