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    Memórias: A Menina Sem Estrela -

    Nelson Rodrigues

    Nova Fronteira
    2015
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788520940327
    Português Brasileiro
    4.6
    18 avaliações
    Leram35Lendo4Querem55Relendo1Abandonos1Resenhas1
    Favoritos3Desejados55Avaliaram18

    Em Memórias — A Menina Sem Estrela, mais que nunca Nelson foi o escritor que encontrou o universal na mais íntima e pessoal das experiências. Para ele “nada é intranscendente”, nem mesmo o menor fato cotidiano. Os temas se cruzam, as histórias de sua família — como o nascimento de Daniela, a “menina sem estrela” — são entrelaçadas com acontecimentos da história do Brasil e do mundo que marcaram o autor. O resultado é uma obra que, fragmentada em crônicas diárias publicadas no jornal Correio da Manhã, faz uma autobiografia da figura complexa de Nelson Rodrigues.

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    Ana Clara picture
    Ana Clara21/05/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A menina sem estrelas: Nelson, a vida, a morte e a ressaca

    Quando me pus a ler, já estava eu vítima de uma baita ressaca literária. Foi o primeiro livro que li no mês. Minto, na verdade, foi o segundo. Li com preguiça, dessas preguiças que nos obrigam a fazer as coisas mediocremente, então não aproveitei do livro como gostaria, pulando inúmeras crônicas e desejando que ele simplesmente acabasse, tolice que, vez ou outra, era corrigida, mas voltava a acontecer. Deve estar se perguntando o porquê (junto, com acento) eu simplesmente não parei de ler e parti para outro. Comecei a pensar em fazer isso quando já estava na metade do livro; leitores que param de ler a obra pela metade são abominações, no sentido estrito da palavra, principalmente quando se trata de um clássico. Fiz isso uma única vez, com o maldito Macunaíma, mas esse foi um caso a parte, era simplesmente intolerável. Além do mais, não me arrependo de tê-lo terminado. É de uma beleza magistral! Primeiro, porque se trata de uma crônica, e esse gênero textual, por si só, tem um lugar guardadinho em meu coração. Segundo, Nelson Rodrigues teve uma vida penosa, com perdas irreparáveis e constantes batalhas contra a fome. Confesso que me senti bárbara, cruelmente bárbara, por não chorar lendo suas crônicas; pior, por desejar simplesmente que acabassem logo. Não sei o porquê deste fenômeno, na verdade. Chuto que minha insensibilidade tem alguma ligação íntima com as redes sociais. A culpa é sempre delas. Mas, apesar disso, obtive momentos de comiseração pela vida de Nelson Rodrigues (chamemos pelo segundo nome, também, pois escrever apenas Nelson me soa de uma informalidade quase desrespeitosa), principalmente quando a morte de seus familiares e a falta de visão de sua filha eram narrados. Não sei como poderia viver com essas perdas. E por falar de viver, Nelson defendia ferrenhamente que todos tínhamos um desejo pela morte. Nostalgia, como ele diz. E acredito que tenha razão. Independente de como seja nossa vida, desde a mais desoladora miséria e mais jubilosa abastança, em dado momento, iremos pensar na morte como um desejo, ora distante, ora perigosamente próximo. Felizmente, somos capazes de driblar essa aspiração, isto é, a atração que existe entre nós e um cemitério não é forte o bastante para vencer nossa razão em uma batalha mano a mano. Isto é, na maioria das vezes. Sinto muito pela filha dele, muito. Dou-lhe um 10/10 bem merecido.

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    Nelson Falcão Rodrigues profile picture

    Nelson Falcão Rodrigues

    Foi um jornalista e escritor brasileiro. Grande nome da literatura brasileira, consagrou-se especialmente através de seus contos e peças teatrais. Colunista de sucesso em sua época, também destacou-se nas crônicas esportivas, folhetins e romances, estes últimos, sob pseudônimos de Myrna e Suzana Flag. Foi o mais revolucionário personagem do teatro brasileiro, abrindo as portas à moderna dramaturgia no país. Trabalhou nos grandes jornais do Rio de Janeiro. Percorreu, contudo, um árduo itinerário, marcado pelas tragédias familiares e pela crítica equivocada da época, vinda tanto de militantes políticos comunistas como conservadores. Iniciou sua carreira jornalística em 29 de dezembro de 1925, como repórter de polícia no jornal de seu pai, tendo apenas treze anos e meio.

    102 Livros
    786 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Nelson Falcão Rodrigues