Casas de Poder / Power Houses - Catálogo de Exposição

    não informado

    Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
    2013
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O título desta exposição toma emprestado o termo “casas de poder”, criado pelo sistema de classificação de museus do Comitê Internacional para os Museus de Casas Históricas do Conselho Internacional de Museus – Demhist-Icom para denominar a categoria dos palácios e casas históricas cuja função é a de sede de governos ou residências reais e oficiais de governantes. Os palácios localizados no território brasileiro, que abrigaram ou ainda abrigam sedes do governo executivo e residências de seus governantes (imperadores, presidentes e governadores), possuem algumas características comuns entre eles. Diferindo dos palácios reais europeus, têm uma história muito mais recente, iniciada no século XIX, e refletem a história política brasileira do império ao período republicano. Em sua maioria, essas edificações foram construídas no século XIX e primeiras décadas do século XX, em estilo eclético e de influências especialmente neoclássicas. Muitas delas foram antigas moradias particulares, tendo sido compradas posteriormente pelo governo para abrigar sedes do poder executivo e residências oficiais dos governantes. Seus acervos, compostos de mobiliário, objetos raros, obras de arte e documentos, refletem a opulência das ambientações palacianas, em especial prataria, louçaria, cristais e pinturas de influências estéticas francesa e inglesa. Destacam-se, também, as coleções de mobiliário português do período colonial brasileiro. São locais que testemunharam importantes fatos históricos e decisões políticas, o cotidiano da vida privada de seus moradores, hospedaram ilustres personalidades. Ao longo do tempo, seus ambientes passaram por diversas alterações arquitetônicas, de decoração e de uso. Em muitos dos palácios reais ou sedes de governo, alguns salões de banquetes que antigamente foram palcos de animadas recepções atualmente estão abertos à visitação, e neles são promovidas atividades socioeducativas, exposições e apresentações musicais para um público numeroso e proveniente de todos os cantos do mundo. São espaços que, ao abrigarem a dinâmica do poder, trazem a reflexão e o debate sobre mitos, histórias reais e transformações políticas. São, também, fontes documentais importantes da memória do modo de vida da sociedade durante os períodos correspondentes. Na fase atual, onde a participação popular em todos os assuntos de interesse da sociedade é fato e direito na maioria dos países, a leitura e interpretação mais comum das casas de poder acaba por ser não só a de espaços líricos de devaneio, mas também a de símbolos da opulência do cotidiano de vida da elite política. Esse é o caso de alguns palácios sedes de governos republicanos e suas histórias de ditadura, que, transformados em museus, não trazem a magia e o encanto da vida palaciana das casas reais, com seus contos de príncipes e princesas, já presentes no imaginário coletivo desde a infância. As inúmeras ressignificações desses locais têm configurado palácios-museus voltados para o público e para as demandas da vida contemporânea. Alguns se tornaram exclusivamente espaços culturais e cívicos; outros compartilham o uso residencial e administrativo com ambientes abertos à visitação pública. Esta exposição no Palácio dos Bandeirantes apresenta três eixos de reflexão que se articulam através de fotografias, pinturas, gravuras, documentos e objetos das coleções dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo. O primeiro mostra os palácios sedes do governo executivo estadual paulista e residências oficiais dos governantes ao longo de sua história republicana – Pateo do Collegio, Palácio dos Campos Elíseos, Palácio Boa Vista, Palácio do Horto e Palácio dos Bandeirantes –, em seus contextos histórico, político e social. O segundo eixo aborda os temas do protocolo, das visitas oficiais e hóspedes ilustres, presentes e honrarias dos chefes de Estado e especialmente da vida cotidiana e social dos palácios como cenários de importantes acontecimentos. O terceiro revela alguns destaques de obras preciosas do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo e suas políticas de aquisição. Além disso, sugere a reflexão sobre as mudanças dos cenários de participação dos personagens na construção da sociedade, por meio das interpretações de artistas que se debruçaram sobre as questões sociais, como o quadro Operários (1933), de Tarsila do Amaral, um ícone do Modernismo brasileiro. Desse modo, a exposição Casas de poder procura refletir sobre a criação de símbolos da imagem pública do lugar que esses personagens ocuparam e ainda ocupam na imaginação coletiva, suas representações e mensagens para a sociedade contemporânea.

    Similares (1)

    Ver mais
    • book cover

    Estatísticas

    Avaliações

    4.5 / 2
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%