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    Checker and the Derailleurs (P.S.)

    Lionel Shriver

    Harper Perennial
    2009
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-10: 0061711373
    4.5
    2 avaliações
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    Beautiful and charismatic, nineteen-year-old Checker Secretti is the most gifted and original drummer that the club-goers of Astoria, Queens, have ever heard. When he plays, conundrums seem to solve themselves, brilliant thoughts spring to mind, and couples fall in love. The members of his band, The Derailleurs, are passionately devoted to their guiding spirit, as are all who fall under Checker's spell. But when another drummer, Eaton Striker, hears the prodigy play, he is pulled inexorably into Checker's orbit by a powerful combination of envy and admiration. Soon The Derailleurs, too, are torn apart by latent jealousies that Eaton does his utmost to bring alive.

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    Jonathas de Almeida19/02/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Celebrando a juventude

    “ Mudanças são assim: você não está mais onde estava; você ainda não está onde vai chegar; você está exatamente em lugar nenhum.”* Checker and the Derailleurs, segundo romance da Lionel Shriver, é um livro sobre ser jovem, otimista e viver o máximo que a vida oferece. Escrito por uma versão jovem da autora, 16 anos antes do sucesso que se tornaria Precisamos Falar Sobre o Kevin, o livro tem um tom terno que não pode mais ser encontrado nos demais livros da autora. O romance traz algumas ilustrações feitas por Shriver, que revela que aos nove anos de idade se sentia dividida entre os lápis de cor e a criação de histórias. Quando questionada por um adulto sobre o que ela queria ser quando crescer, Lionel Shriver, que ainda se chamava Margaret Ann Shriver, respondeu que queria escrever e ilustrar seus próprios livros. Esse adulto riu e perguntou se ela queria escrever livros para adultos, pois livros de “gente grande” não têm desenhos. Pois eis Checker and the Derailleurs para provar que esse adulto estava errado: um livro para adultos com ilustrações. – O que são todas essas cicatrizes? – ela perguntou sobre a mão dele que estava coberta de pequenas protuberâncias. – É de tocar bateria. – Ela olha. – Violentamente. – Apaixonadamente. – Ela riu. – Porque isso é engraçado? – Bem... Quantos anos você tem? – O que isso tem a ver com paixão? – Talvez nada. – ela admitiu. [...] – Quantos anos você tem? – Por quê? – Porque geralmente eu sei dizer. Você, não consigo colocar entre dez anos. – Vinte e nove. – Eu teria dito que é mais velha. – Bem diplomático. – Você não está ofendida.* The Derailleurs é uma banda de rock composta por jovens de 19 anos que tocam regularmente num bar da cidade, suas músicas são sobre bicicletas, como o nome da banda sugere: Derailleurs significa desviadores, uma peça de bicicleta. Os integrantes são de uma diversidade única: Quiet Carl tecladista é gago, Caldwell guitarrista que tem medo de envelhecer, Rachel a vocalista depressiva, J.K. baixista da banda é um carteiro jamaicano, Rahim Abdul saxofonista e imigrante ilegal do Iraque, Howard que não toca na banda mas gosta muito de Checker e se autointitula o administrador da banda, Checker o baterista que carrega um carisma estrondoso: todos amam a bondade que flui de Checker, exceto Eaton Striker, o baterista reserva da banda que consegue fazer com que os amigos e integrantes da banda, tão devotados a Checker, o odeiem. “Então eis os The Derailleurs – uma turma variada ou tropical, dependendo do seu humor. A imagem daquela banda de rock obscura do Queens, tropeçando em fios desgastados com fita isolante, poderia tornar-se crivelmente atraente, mas você tem que olha-los da maneira correta. [...] De repente os holofotes no palco obscurecem o rosto do Caldwell com uma expressão exótica de uma máscara Kabuki. Ele tem dedos longos e elegantes. Seu cabelo é um dourado brilhante. É verdade que ele está assustado, mas aos dezenove há muito a temer, como o resto da sua vida. A Rachel não é mais tímida, mas sim delicada. Se você colocasse seu dedão e o dedo do meio em volta do pulso dela, as pontas dos dedos se sobreporiam. O J.K. é grande ao invés de gordo, confortável e despretensioso como uma poltrona estofada. E daí que o Rahim é bonito? Dentes bonitos, como perolas que combinam, um sorriso de duas linhas. Além disso, às vezes é possível recuperar aquele encanto em estrangeiros que você tinha na primeira vez que você veio pra Nova York. Os r’s dele deslizam como água. O Quiet Carl tem uma história, e você gosta de histórias. Howard é lindo, e você está louco pra dizer isso a ele. Você quer levá-lo as compras para comprar algumas camisas coloridas e jeans que não subam tanto assim. Tênis de cano-alto ao invés de boat shoes. Mas você não fará isso. E Howard continuará comprando camisas xadrez sem cores e jeans grandes na cintura e curtos nas pernas, e isso te faz sorrir, pois as pessoas são espantosamente consistentes, tão meticulosamente elas mesmas. Você não se importa. Por quê? Ele é a única pessoa que você conhece que usa boat shoes.”* Checker é um jovem carismático que conquista todos ao seu redor. Ele se sente grato pela vida e valoriza as pequenas coisas. Quem vê Checker pensa que ele nunca viveu um dia ruim, pois sempre está bem-humorado e sorridente. Seu modo de encarar a vida acaba funcionando como um imã; todos querem estar perto de Checker. Ele se importa com as pessoas sinceramente. – Todo mundo é problema de todo mundo. – Checker disse imediatamente. – Isso soa... opressivo. – Eaton respondeu. – Como você consegue carregar tudo isso e não se matar? Checker estudou a mesa: – Pergunta interessante. Eaton lançou um olhar sagaz para o outro baterista. – A questão é: lealdade pessoal é uma coisa. Mas se você olhar para o grande paronama, nossas fronteiras estão sendo invadidas. É praticamente uma emergência nacional. E você está prestes a se envolver com fraude de imigração. Claro, você quer ajudar seu amigo. Mas moralmente, mesmo que você não reconheça essa categoria, sua operação é duvidosa. Finalmente Checker respondeu, com uma gravidade incomum: – Eu vivo num panorama menor. É o único panorama que tenho. Você diz que lealdade pessoal é uma coisa. Não acho. Acho que seja tudo. É o princípio de tudo de qualquer modo, Striker. É o ponto de partida. O baterista tem uma perspectiva peculiar sobre a vida. Ele conversa com sua bateria, acredita que sua bicicleta, carinhosamente chamada de Zefal, tem ciúmes de suas namoradas, ele aprecia profundamente as pontes da cidade, os parques, bosques e tudo a sua volta. Checker diz que “tudo pelo qual você se importa está vivo.” “Ela diz que a bicicleta, a bateria, as pontes... não são elas, elas são coisas. Quando você é muito grande, ela diz, você toma muito espaço. Seu corpo não é o bastante para cobrir. Então você infestas as coisas. As habita, ela diz. Ela disse que por isso que eu preciso das pontes, porque elas são grandes. Ela disse que precisarei de mais espaço em breve, que posso habitar na linha do horizonte de Manhattan agora.”* O que a legião de fãs de Checker não sabe é que o jovem não vive num mar de rosas, e por isso, de vez em quando, ele some, retornando dias ou semanas depois, como se nada tivesse acontecido. Eaton vai aos poucos se infiltrando na banda e fazendo com os integrantes se voltem contra Checker. “As pessoas não mudam, diz o Checker, elas só se tornam cada vez mais as mesmas.”* Shriver, como de costume, expande sua narrativa para diversos assuntos. Com personagens bem construídos a trama envolve o leitor que vai se apaixonando pela história desses jovens. Algumas personagens, entretanto, são negligenciadas na narrativa, se tornando praticamente desnecessárias na história. “Mais tarde Checker nomeou o problema como O Veneno da Cenoura: sempre que você define o que você quer baseado no que você não tem, você jamais conseguirá o que quer, uma vez que depois que você tivesse não seria mais o que você quer, pela própria definição. Uma vida “melhor” é sempre um estimulo a distância. Se você decidiu que sua felicidade não começa de fato até que você consiga, não no momento em que você dá um passo, mas sim o seguinte, então você está indefinidamente preso numa esteira que somente a morte, e não o amor, o dinheiro ou a fama, pode te salvar.”* Jovens se sentirão lisonjeados pela forma com que a autora retrata essa fase da vida, e os mais velhos se sentirão jovens novamente. O livro tem uma atmosfera muito leve e divertida, é claro que há momentos mais tensos, mas ao termino da leitura, a sensação de despreocupação misturada à paixão, que só os jovens têm genuinamente, tomará conta do leitor. Aquele sentimento de ter vivido os melhores dias de sua vida na juventude, e aquele ressentimento de não poder voltar a eles é fortemente explorado pela autora. Shriver também mostra uma nova faceta: compositora. No livro a autora escreve letras de músicas cantadas pela banda e deixa o convite para que quem se sentir inspirado torná-las em canções. “Isso aconteceria apenas uma vez e então amanhã tudo seria diferente, mas esse era o ponto, não era? Cada maldito minuto acontecia apenas uma vez. [...] Aquela era uma noite preciosa exatamente como todas as noites eram preciosas, e quando eles pensaram “não tocaremos assim novamente”, eles também sabiam que isso sempre fora verdade, que cada vez que o Derailleurs se reunia tinha sido a única vez que eles tocariam daquela forma naquela noite. Era uma sensação tanto de possibilidades infinitas quanto de limitações infinitas, seja quão precioso fosse, a singularidade de cada momento o condenava a algo imperfeito e concreto, cada minuto tiquetaqueava exatamente conforme acontecia [...] Não havia espera, apenas o começo sem fim, com sua exigência implacável que você compusesse esse momento, e o próximo, que você fizesse algo com ele além de gastá-la sobre “a pia,/ como dinheiro em bebida”, uma responsabilidade e uma oportunidade que tanto oprimia o Checker Secretti em algumas noites que fazia com que ele marcasse suas iniciais no próprio pulso ou corresse em direção ao nascer do sol em busca de nada, apenas para não ter que fazer algo mais uma vez. Era difícil e cansativo, o relógio estava sempre correndo, mas em algumas noites você estava acordado, e essa era uma delas.”* Escrito por uma Shriver de espírito jovem, mas ainda assim muito cáustica, a obra é a própria celebração da juventude e também um lembrete que a vida acontece todos os dias, e cabe a cada um encará-la alegremente como Checker, ou amargamente como Eaton. O livro tem um final feliz que embora não seja totalmente convincente, provavelmente agradará o leitor que tanto torceu pela felicidade dessas personagens, nem mesmo a jovem Shriver conseguiu fugir da crença que finais felizes são possíveis. “Acabou. Tantos dramas são resolvidos em minutos, embora as consequências possam demorar décadas para chegar, tão vagarosas quanto inexoráveis. Não se preocupe. Sente-se. Assista ao show. Como depois que uma votação termina e não há nada a fazer se não acompanhar os resultados, encarando a tela com receio enquanto os números mudam, digito por digito. Depois que já se votou, é quase relaxante.” * *Tradução minha.

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    Margaret Ann Shriver profile picture

    Margaret Ann Shriver

    Lionel Shriver (cujo nome de nascimento é Margaret Ann Shriver) nasceu em 18 de Maio de 1957. É jornalista e escritora. Nasceu em Gastonia, Carolina do Norte, EUA, no seio de uma família extremamente religiosa, sendo o seu pai pastor Presbiteriano. Mudou o seu nome quando tinha 15 anos (de Margaret Ann para Lionel) porque gostava da forma como soava. Frequentou a Universidade de Columbia. Já viveu em Nairobi, Bangcoc e Belfast. Neste momento, divide o seu tempo entre Londres e Nova Iorque. Colabora com diversos jornais, entre outros, The Wall Street Journal, The Philadelphia Inquirer e The Economist. É casada com um músico de jazz.

    23 Livros
    449 Seguidores
    North Carolina, Estados Unidos

    Margaret Ann Shriver