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    A grande fome - Contos (1932-1958)

    John Fante

    José Olympio
    2015
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-13: 9788503012515
    Português Brasileiro
    4.2
    131 avaliações
    Leram183Lendo16Querem182Relendo0Abandonos2Resenhas14
    Favoritos14Desejados182Avaliaram131

    Livro inédito no Brasil do autor de Pergunte ao pó. Essas pérolas não publicadas foram descobertas pelo biógrafo do autor John Fante. São histórias divertidas, muitas sobre a infância de Fante, reunidas em um exemplar que inaugura o novo projeto gráfico da obra dele. Textos exemplares do estilo único e brilhante de John Fante, que vão agradar aos fãs do autor. Nesta antologia inédita, John Fante, epítome da geração de autores imersos na contracultura norte-americana, desfila seus personagens costumeiros: imigrantes, escritores miseráveis, crianças travessas e incógnitos (extra)ordinários. Uma seleção póstuma, composta de tesouros literários da era pré-beatniks, que dá voz uma última vez aos pequenos, vagabundos e expatriados que habitam a obra de Fante.

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    jota 1107/08/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Com fome de mais Fante...

    A Grande Fome é o livro de contos de John Fante (1909-1983) que o biógrafo Stephen Cooper organizou a partir de material inédito encontrado na casa do autor de Pergunte ao Pó e outras obras bastante conhecidas. Foi lançado nos EUA em 2000 e traz dezoito textos: dezessete são histórias escritas entre 1932 e 1959 e há também um prólogo que Fante escreveu para seu livro mais conhecido, esse mencionado acima. O volume traz prefácio do próprio Cooper e ao final, Notas do Editor, muito úteis, pois trazem informações básicas sobre as histórias do livro, estabelecem datas de publicação etc. Quase todos os contos de Fante contêm tintas autobiográficas; alguns tratam de sua infância e juventude, daí que temos novamente o inesquecível Arturo Bandini, alter ego do escritor, personagem de sua tetralogia informal, composta por (ordem em que os volumes deveriam ser lidos) Espere a Primavera, Bandini (Arturo aos 11-12 anos), O Caminho de Los Angeles (aos 14 anos), Pergunte ao Pó (aos 21 anos) e Sonhos de Bunker Hill (aos 24-25 anos), todos grandes êxitos literários. Em sua maioria as histórias iniciais de A Grande Fome formam retratos de uma família de imigrantes italianos, elaborados a partir de uma visão juvenil (ponto de vista de Arturo), e são bem humoradas, como a maioria dos contos. A comunidade estrangeira, as famílias, os tipos característicos, estão quase sempre no centro das tramas, mesmo quando não são de origem italiana, mas filipina ou japonesa, como no caso da curiosa Mary Osaka, Eu te Amo (décimo segundo texto). Em outro conto, Viagem de Ônibus (décimo primeiro texto), também encontramos um personagem filipino, mas são majoritariamente os imigrantes italianos e seus descendentes americanos que dominam a cena. Mesmo vivendo na América, os mais velhos preservam muitos hábitos (especialmente alimentares, logicamente) e costumes do país europeu, então temos casos interessantes ocorridos não apenas com os Bandini, também com outras famílias. Destacam-se três histórias assim: Uma Mulher do Mal, Os Sonhos de Mama e Os Pecados da Mãe. No primeiro (sexto, na edição), o músico Mingo, tio do narrador, é pressionado nada sutilmente pelos parentes para que desista de se casar com uma mulher que eles julgam estar envolvida com um bordel (além disso ela é americana, um pecado!). Em Os Sonhos de Mama (décimo quinto texto), uma tragicomédia, uma mãe recebe um telegrama e, sem abri-lo, pois imagina o pior contido nele, causa uma grande confusão em sua família, que pode levar o leitor do riso às lágrimas. Os Pecados da Mãe (décimo sexto texto) conta a história de outra mãe, siciliana, que não quer que a filha se case com um italiano pobre, para não passar as vicissitudes que ela passou com o noivo alfaiate quando chegou na América para se casar com ele e mesmo depois, já casada. Tudo é narrado de modo saboroso, curioso, divertido ou até dramático às vezes, e prende intensamente a atenção do leitor, mais ainda daquele que tem ascendência italiana, que seguramente vai se divertir bastante (ou se emocionar) com todos os casos contados por Fante. Não há nenhuma história ruim em A Grande Fome: há algumas melhores do que outras, e a que dá título à coletânea (décimo sétimo texto) é simplesmente sensacional, uma pequena obra-prima sobre a infância, em que os personagens, conforme cita o biógrafo Cooper, parecem ter sido baseados nos próprios filhos pequenos do escritor. A bela capa da edição brasileira (do designer Leonardo Iaccarino) tem tudo a ver com o que lemos lá dentro. Outro conto (quarto texto) que tem a ver com grande fome, mas que não tem nada de engraçado, pelo contrário é amargo e triste, é Bote na Conta, que remete diretamente para a infância nem sempre feliz de Arturo Bandini, quer dizer, do próprio escritor. É desnecessário listar as inúmeras qualidades da escrita de Fante. Basta dizer que essa coletânea é aquele tipo de livro que mostra que um grande autor não precisa necessariamente escrever obras volumosas, verdadeiros calhamaços, para provar que é bom naquilo que entrega para seu público. John Fante escreveu contos e pouco mais do que meia-dúzia de livros curtos e seu enorme talento narrativo fez com que tivesse o nome para sempre gravado nas letras americanas e fosse admirado por muitos leitores mundo afora. Mas seu caminho para a glória literária não foi fácil e ele demonstra isso através de algumas das histórias deste precioso volume. Lido entre 31.07 e 06.08.2018.

    8 curtidas

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    4.2 / 131
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas2%
    John Fante profile picture

    John Fante

    Foi educado em Boulder e cursou na Universidade do Colorado. Logo mudou-se para a Califórnia. Começou a escrever em 1929, tendo seu primeiro conto publicado na revista The American Mercury em 1932. Seu primeiro romance, intitulado "Espere a Primavera, Bandini" foi publicado em 1938. No ano seguinte acontece o divisor de águas de sua carreira, "Pergunte ao Pó". Escreveu ainda Rumo à Los Angeles, que mostra a fase mais madura de sua personagem, e alter ego, Arturo Bandini, um ítalo-americano amargo que cresce em plena recessão americana, e tenta levar a vida empregado como operário em fábricas. Bandini exemplifica a falta de perspectiva do pós-guerra e os efeitos da crise de 1929. Fante fez roteiros para Hollywood. Em 1955 foi diagnosticado que sofria de diabetes, doença que o deixaria cego em 1978. Ainda assim ditou seu último livro, "Sonhos de Bunker Hill" para esposa, Joyce. Morreu aos 74 anos em 8 de maio de 1983 na Califórnia. Seu filho, Dan Fante, escreveu um romance sobre a morte do pai intitulado Chump Change, ainda inédito no Brasil. A biografia de John Fante foi publicada por Stephen Cooper no ano de 2000. Seu humor cáustico impressionou, entre outros, Charles Bukowski,uma vez que seu alter ego Henry Chinaski manifesta expressamente em Cartas na Rua (também em Pedaços de Um Caderno Manchado de Vinho, Mulheres), que seu autor preferido era John Fante. F-A-N-T-E, enfatiza.

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    Estados Unidos, Estados Unidos

    John Fante