"Quando Deus une um homem e uma mulher, Ele ajuda a encontrar o caminho".
Essa frase resume com perfeição a linda história de amor de Jamie Blakewell e Brighid Ní Maelsechnaill. Considerando o contexto histórico e social em que viviam, essa união parecia impossível. Ele é um inglês protestante, que muito embora não possuísse título de nobreza, era rico e proprietário de prósperos negócios na Virgínia, América. Ela é uma humilde camponesa irlandesa católica, filha de um professor considerado subversivo, vendido como escravo pelos ingleses. A Inglaterra havia dominado a Irlanda de forma déspota, impondo sua religião, usurpando suas terras, e explorando os agricultores. Os nobres ingleses faziam suas próprias leis, inclusive o casamento entre católicos e protestantes era proibido.
O momento em que Jamie e Brighid se conhecem é muito impactante. Parece ser costume da autora tornar o primeiro encontro sempre emblemático. Ele estava em uma caçada nas terras do conde e amigo Sheff, senhor de Byerly, ela acompanhado um cortejo fúnebre. Há um conflito entre o conde e os camponeses, mas Jamie intervém em favor deles. Desde então ficou evidente o fascínio de Jamie por Brighid, algo que não passou despercebido ao conde, situação esta que causa desdobramentos imprevisíveis na vida de todos. Em um momento, Brighid estava na segurança de seu lar com seus irmãos, em outro, foi despojada de sua vontade e oferecida pelo conde como um presente sexual a Jamie. O herói fica muito atraído, impactado, mas o seu senso de honra prevalece. Assim, ele finge manter relações sexuais com a heroína, a cena é muito forte e erótica, mas isso não aplaca a insanidade do conde, o qual irá até às últimas consequências para possuir Brighid e humilhar seu ex-amigo.
A partir daí Brighid e Jamie irão construir a sua história. Um amor cheio de impedimentos. Duas vidas separadas por séculos de sangue e ódio entre seus povos. Aos poucos vamos conhecer o íntimo de Jamie, seus demônios pessoais, e o homem excepcional que ele é. Sim, caros leitores, estamos diante de um magnífico exemplar que facilmente preenche os requisitos femininos mais exigentes. Jamie sabe ser doce e sedutor, mas igualmente dominante e protetor quando a ocasião assim requer. Por isso mesmo, quando o herói sequestra a heroína, vibrei. Sim, pode parecer algo medieval, mas, acreditem, foi um ato de amor.
A devoção do herói é cativante, causa deslumbramento. Ele faz o impensável para proteger o seu amor, mesmo antes de saber que estava apaixonado.
Paralelamente, Jamie busca meios de aprovar uma lei no Parlamento Inglês que viabilizasse uma luta naval na América, no intuito de proteger os colonos dos franceses e seus aliados índios. Neste ponto, a autora demonstra cuidado e pesquisa, algo que apreciei muito.
Adorei acompanhar o romance entre Finn, irmão de Brighid, e Muirín. Achei muito sensível e encantador. Também conhecemos um pouco sobre o destino de Nicholas, sobrinho de Jamie, protagonista de Ride the Fire, terceiro volume da série.
Enfim, um livro lindo, romântico, completo. Um amor que me fez relembrar as razões pelas quais sou fascinada por enredos do estilo, que exploram os sentimentos, a conexão primitiva e universal entre dois seres que se encontram por razões inexplicáveis, e que apesar dos obstáculos, encontram forças e meios para que o elo firmado prevaleça. Piegas, pode ser, mas confio que o conto do cavaleiro reluzente ainda tem o seu encantamento. Jamie prova isso.
Imensamente recomendado!