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    A grande tarefa da revolução consiste em formar o homem novo -

    Fidel Castro

    Expressão Popular
    2015
    56 páginas
    1h 52m
    ISBN-13: 9788577432530
    Português Brasileiro
    4.3
    41 avaliações
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    A tomada do poder em Cuba, em 1959, é fruto de um longo processo de lutas do povo que, como sempre lembra Fidel em seus discursos, tem como grande idealizador e inspirador José Marti. Ele fora um incansável combatente – nas ideias e na prática – pela independência e soberania da ilha. É inspirado nele que um grupo de militantes desencadeia, nos anos 1950, um processo de luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista ao tentar tomar um Quartel, em 26 de julho de 1953, episódio que ficou conhecido historicamente como o “Assalto ao quartel Moncada”. Neste primeiro momento os militantes foram derrotados e presos. É a partir desse acontecimento que temos conhecimento da capacidade de formulação de Fidel Castro em seus discursos. Jovem advogado, Fidel – que havia sido preso quando da tomada do quartel Moncada – elabora o seu discurso de defesa, cujo título é A história me absolverá, frente à acusação feita pelo Estado. Depois da tomada do poder pelos revolucionários cubanos, os discursos de Fidel Castro sempre foram vistos como uma didática apresentação da história do povo e das lutas cubanas. Neles eram abordadas questões fundamentais para a consolidação da revolução e para formar, elevar o nível de consciência da população em geral. É este o sentido do texto que publicamos a seguir. Um discurso de Fidel Castro, no ano de 1968, por ocasião do 15º aniversário do Assalto ao quartel Moncada. Além da comemoração desse fato histórico, ele aproveita também para fazer um breve balanço dos nove anos da Revolução Cubana, apontando as transformações ocorridas nesse período, bem como os desafios que ainda se mantém para a construção de uma sociedade comunista, sem classes. Um dos principais aspectos a ser ressaltado em seu discurso é o desafio de se formar aquilo que Che Guevara chamava de “homem novo”. Os dirigentes revolucionários cubanos sabiam do desafio de se forjar um novo modo de vida para a construção do comunismo; sabiam que isto, apesar de estar estreitamente vinculado aos aspectos econômicos, políticos e sociais, necessitava de ser trabalhado através da prática de novos valores. Fidel recupera este aspecto da formação de novos valores retomando a história de luta do povo cubano, iniciada ainda no século XIX, mostrando que todas as conquistas da revolução são parte de um longo processo histórico, cujo principal ator é os trabalhadores, os camponeses e o povo. Ele demonstra – ao questionar a descrença de “sábios” com relação à possibilidade de se fazer uma revolução em Cuba por conta do alto índice de analfabetismo e de uma suposta ignorância – que o povo aprende nas lutas, nas ruas, muito mais do que em anos de estudo. Essa formulação já havia sido feita anteriormente por Lenin nos antecedentes da Revolução Russa de 1917. O caminho a ser trilhado para se chegar aí é longo, mas seus germens devem ser cultivados na prática e no cotidiano, desde já, por todos aqueles empenhados em construir a nova sociedade. A partir do exemplo de trabalhadores que abriram mão do pagamento de horas extras, Fidel demonstra que a solidariedade na prática e “transformar a consciência em riqueza” são os fundamentos para se chegar a uma sociedade sem classes. Ao longo de seu discurso, ele chama a atenção dos jovens estudantes presentes, que não conheceram o país antes da Revolução, pois são muito novos. Ele os alerta a conhecerem através do estudo da história todas as transformações e melhorias que a luta trouxe ao povo, para se empenharem no trabalho de construção do país sob novas formas de relações sociais, baseadas em novos valores.

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    Luiz Eduardo Carvalho picture
    Luiz Eduardo Carvalho03/10/2021Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    A que custo se forma o "homem novo"?

    Livro: A Grande Tarefa da Revolução Consiste em Formar o Homem Novo Autor: Fidel Castro O livro apresenta o discurso de Fidel Castro em comemoração aos 9 anos da Revolução Cubana, e o histórico dia 26 de julho de 1953, em que um grupo de militantes realizou o "Assalto ao Quartel Moncada" contra o governo de Fulgêncio Batista. "[...] neste processo revolucionário não haverá nada nem ninguém que possa fazê-lo recuar [...] que possa detê-lo, porque a sua força não está só na quantidade de homens e mulheres que o defende, na massa do povo que o defende, na massa do povo que o apoia, nas armas formidáveis com que contamos para lutar em caso de guerra, mas sim e fundamentalmente no grau a que chegaram suas consciências, pelo tão elevado grau em que se transformou a consciência do povo. E, quando uma causa, uma ideia, se torna consciência de todo um povo, não existe força no mundo capaz de destruí-la." (p. 22-23) Apesar de curto, o livro aborda algumas das principais questões dos revolucionários cubanos ao implementar o regime socialista/comunista, como por exemplo o alto índice de analfabetismo, o subdesenvolvimento tecnológico, e a tarefa de forjar um novo modelo de homem trabalhado através da prática de novos valores sociais e morais. "[...] quando a Revolução suprimiu os negócios particulares, deu um extraordinário passo à frente. Já não há ninguém no nosso país que possa ganhar cem pesos num dia. Quer dizer, já não há ninguém que possa ganhar 30 vezes o que ganha um operário que trabalha duramente. Já não existe ninguém que, sem suar a camisa, possa ganhar 30 vezes mais do que aquele que sua a camisa." (p. 34) O discurso inflamado evidencia o sonho comunista de uma sociedade igualitária. Não nega a necessidade de "despertar a consciência" do povo para a nova realidade, ainda que para isso a miséria seja instaurada, relatos sobre falta de alimentos e roupas, a eliminação da iniciativa privada e do subdesenvolvimento do trabalho são presentes, tudo sendo justificado com a famosa frase "cada qual dá segundo a sua capacidade e recebe segundo as suas necessidades". Ainda que "a história tenha absolvido" Fidel, o fruto de suas ideias e ações são autoevidentes. "[...] o comunismo surge como uma possibilidade do domínio do homem, domínio completo sobre a natureza, domínio pleno sobre a técnica, domínio pleno sobre o processo de produção dos bens materiais." (p. 25-26)

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    Fidel Alejandro Castro Ruz profile picture

    Fidel Alejandro Castro Ruz

    Fidel Castro (1926-2016) foi o líder da Revolução Cubana (1959), e presidente do Conselho de Estados e Ministros do país até 2006, quando se retirou da vida pública. Liderou a guerrilha que derrubou o ditador pró-Estados Unidos Fugêncio Batista entre 1956-1959, junto com Che Guevara. Dirigiu a sociedade cubana durante a implementação do socialismo no século XX, participou ativamente de diversos acontecimentos históricos, como a Crise dos Mísseis, os processos de independência dos países africanos e asiáticos contra o imperialismo europeu e o auxílio a países de Terceiro Mundo, que virou uma marca da política internacionalista de Cuba. Teve participação decisiva na luta contra o Apartheid na África do Sul, ao expulsar o exército invasor desse país de Angola e da Namíbia, onde tropas cubanas foram enviadas e lutaram junto aos rebeldes africanos. Seus escritos versam sobre socialismo, a história cubana e latino-americana, imperialismo e críticas ao capitalismo. Nos últimos anos de vida passou a escrever sobre o perigo das armas nucleares e das mudanças climáticas. Possui alguns trabalhos biográficos e filmográficos que contam sua história a partir de suas próprias palavras e lembranças coletadas pelos autores.

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    Fidel Alejandro Castro Ruz