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    Palavra própria e palavra outra na sintaxe da enunciação

    Mikhail Bakhtin

    Pedro & João Editores
    2011
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9788579930812
    Português Brasileiro
    7.5
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    O texto que aqui se apresenta faz parte do Marxismo e filosofia da linguagem (1929) e constitui sua terceira parte, intitulada “Para uma história das formas da enunciação nas construções sintáticas. Tentativa de aplicação do método sociológico aos problemas sintáticos”, dedicada ao estudo da relação entre a palavra própria e a palavra outra. Diferente da frase, célula morta da língua, geralmente assumida como objeto da lingüística, a palavra, na sua unidade basilar, a enunciação, célula viva do falar, se constitui com a palavra outra, porque a escuta e se realiza na escuta, responde e espera uma resposta. A palavra, diz Bakhtin, tem geralmente uma dupla orientação: para o seu objeto e para uma outra palavra, a palavra outra. Esta palavra outra pode também ser o objeto mesmo da palavra, que então se apresenta como palavra objetivada ou representada. A palavra representada, objetivada, pode se dar na forma de discurso direto ou de discurso indireto. Mas há um terceiro tipo, aquele do discurso indireto livre, que a Bakhtin interessava particularmente, por evidenciar uma dialogicidade da palavra que não é aquela do “diálogo”, diálogo formal, como um suceder-se de réplicas. Reportando a palavra outra, a palavra deve necessariamente combinar-se com a palavra outra, deve enfrentar os problemas da sintaxe. Pois ela deve evidenciar o encontro da palavra própria com a palavra outra, o lugar da interação; e sobretudo na sintaxe do discurso reportado, direto, indireto e indireto livre se evidencia o modo no qual se orienta a recepção e a transmissão da palavra outra e se revela a disposição para a escuta e para a dialogicidade constitutiva da enunciação. Também presente nesta obra o texto de 1926, assinado por Volochínov, “A palavra na vida e na poesia. Introdução ao problema da poética sociológica”. Este texto apresenta uma profunda discussão sobre questões da poética. E da vida. E ambos os textos revelam os diálogos travados por Volochínov e Bakhtin, diálogos ininterruptos e com alargamento suficiente para ser iluminado pelo trabalho de todos os participantes do Círculo de Bakhtin. Fonte: http://www.pedroejoaoeditores.com.br/palavra-propria-e-palavra-outra-na-sintaxe-da-enunciac-o.html

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    Mikhail Mikhailovich Bakhtin

    Mikhail Mikhailóvitch Bakhtin nasceu em Orel, ao sul de Moscou, em 1895. Aos 23 anos, formou-se em História e Filologia na Universidade de São Petersburgo, mesma época em que iniciou encontros para discutir linguagem, arte e literatura com intelectuais de formações variadas, no que se tornaria o Círculo de Bakhtin. Em vida, publicou poucos livros, com destaque para Problemas da Poética de Dostoiévski (1929). Até hoje, porém, paira a dúvida sobre quem escreveu outras obras assinadas por colegas do Círculo (há traduções que as atribuem também a Bakhtin). Durante o regime stalinista, o grupo passou a ser perseguido e Bakhtin foi condenado a seis anos de exílio no Cazaquistão (só ao retornar, ele finalizou sua tese de doutorado sobre cultura popular na Idade Média e no Renascimento). Suas produções chegaram ao Ocidente nos anos 1970 - e, uma década mais tarde, ao Brasil. Mas Bakhtin já havia morrido, em 1975, de inflamação aguda nos ossos.

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    Mikhail Mikhailovich Bakhtin