Brasilidade tipográfica
“Tipografia vernacular é aquela coisa que é cotidiana, que pertence às ruas, que é anônima”. É aquelas plaquinhas de: “vende-se geladinho”, “chaveiro”, “borracharia” e todas as fachadas de boteco que eu vi a vida toda na favela. Neste estudo, Mariana Rodrigues faz uma análise das soluções criativas, aplicações, suportes e iconografias que pessoas amadoras e designers artesões criam neste brasilzão. É interessante a ponte que autora faz entre erudição e o popular na busca de compreender a "brasilidade tipográfica". O resultado é um ensaio maravilhoso sobre comunicação e cultura brasileira. Particularmente, este livro me trouxe duas grandes lembranças. A primeira remete aos 90, quando pegava o busão para ir na casa da minha tia Rosane. Eu ia o caminho todo lendo os anúncios das placas, muros e outdoors (sim, SP já teve muito, antes da lei da cidade limpa). Até um dia que fui pego por um escrito: “bobo é assim mesmo, tudo que vê, lê”. A segunda é uma lembrança mais atual. Tempos da faculdade de publicidade, boas recordações sobre as escolhas de tipos para os projetos integradores, (o trabalho sobre o Pixo de SP que foi um marco nas minhas concepções sobre tipos) a Bienal de Tipos Latinos de 2018 e por fim o laboratório tipográfico. No final das contas eu sempre gostei de observar as formas das letras, agora com o olhar mais afiado, contudo, sempre curioso e lendo os recados da cidade. “Ver só com os olhos É fácil e vão: Por dentro das coisas É que as coisas são”.
