"O Conto Moçambicano. Escritas pós-coloniais", procura, numa perspectiva atenta à problemática pós-colonial, identificar algumas das estratégias discursivas que contribuem para a criação de um campo literário híbrido, fundado na ab-rogação de paradigmas eurocentristas, empenhado no resgate de legados da tradição oral africana. Cruzamento de cosmogonias, de vozes, de línguas e de diferentes sistemas narrativos, o conto — a estória — aparece em Moçambique com uma regularidade e uma vitalidade notáveis, afirmando-se representativo de um país mosaico de culturas. Criando uma escrita dotada de grande invenção verbal, exprimindo as contradições da sociedade africana pós-colonial, defendendo nos seus textos a África da palavra, Craveirinha, Lília Momplé, Mia Couto, Ba Ka Khosa, Marcelo Panguana, Suleiman Cassamo e outros contistas moçambicanos procuram com a prática intensiva do género dar um sentido à existência e à ordem do mundo.