Com "O nariz do morto" e "O anel", este "O livro de Antonio" forma uma trilogia. As memórias de Antonio Carlos Villaça chegam ao seu ponto de equilíbrio ou plenitude. Trata-se de um livro de memórias, mas na fronteira da ficção. Realidade vivida e imaginação se confundem, compondo um denso mural, que se lê com ansiedade como se fora um romance. Há os retratos rápidos em que Villaça como que se especializou, e aqueles quadros vivos da realidade social brasileira, em que aparecem figuras como Sobral Pinto, Carlos Lacerda, Frei Damião Berge, Paulo Armando, Hamilton Nogueira, Pontes de Miranda, Murilo Mendes, a vida literária, autores e livros, doutrinas e homens de carne e osso, a verdade de cada dia, a serra da Bocaina e Parati, uma experiência que é mais do que simplesmente literária, porque é intensamente humana, uma procura dramática.
