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    Um Pastor Segundo o Coração de Deus -

    Eugene Peterson

    Textus
    2000
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-10: 8587334169
    Português Brasileiro
    4.1
    27 avaliações
    Leram79Lendo13Querem71Relendo1Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados71Avaliaram27

    Este livro é um antídoto para algumas práticas superficiais, empresariais e, essencialmente, seculares que fazem parte do ministério pastoral da atualidade. O objetivo deste livro é o de que os pastores repensem, a partir de si mesmos, o ministério pastoral como é vivenciado hoje. Existe um modelo pastoral bíblico e histórico? Quando e como foi que nós alteramos essa vocação tão sublime? Qual é o referencial para aqueles que estão entrando nos seminários? Um livro instigante. Peterson desafia, de forma estimulante, grande parte das práticas pastorais da atualidade. Seu chamado a voltarmos ao fundamental não pode ser ignorado e classificado como ultrapassado ou simplista. Sua obra tem o toque inconfundível de verdade.

    Resenhas (1)Ver mais
    Douglas Mendes 🎶 picture
    Douglas Mendes 🎶22/02/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tem muito o que aprender neste livro.

    A princípio Eugene Peterson defende um entendimento sadio de ministério, mostrando que este não funciona de maneira comercial. Os pastores não devem agir como gerentes. Estes também não devem negligenciar tarefas simples, por estas não renderem uma promoção publica de ministério. Ele faz um alerta para com a tentação e a tendência de simularmos nosso serviço, exercendo um ministério teatral. A repetição de atividades no ministério não é vã, é importante nutrir-se um amor e cuidado verdadeiro nesta obra. Esse amor, no entanto, jamais deve camuflar problemas e dificuldades reais. Peterson destaca que não devemos cair na tendência da maioria. Tornando-se um ajudador humano, não levando em conta, assim, as Boas novas como se devem. O Autor ressalta alguns cuidados a serem tomados pelos pastores. Como, por exemplo, o cumprimento dos votos componentes de sua ordenação, independente das mudanças e demandas circunstâncias. Atender as necessidades das pessoas é importante, mas, ao mesmo tempo, pode se tornar uma dificuldade. Devemos, no fim de tudo, cumprir com a vontade de Deus, não dos homens. Um dos caminhos é o comprimento por meio de devoção consistente. Voltar-se para a “trigonometria Ministerial”, o ato de orar, a leitura da Bíblia e prática da orientação espiritual, é a metodologia necessária para a restauração do verdadeiro ministério. Estes três aspectos serão expandidos no livro. Dentro disso, o escrito destaca a oração como um ato central e fundamental, que acaba não sendo encarado desta forma em alguns ministérios. Devemos quebrar a discrepância existente entre os ministérios pastorais passados e presentes em elementos essenciais. O homem peca na falta de conhecimento e senso adequado sobre sua existência. Temos a tecnologia dos deuses, mas não a sabedoria e presciência deles. O mito de prometeu assim ilustra. A oração é algo sério, tanto que devemos ter cautela no uso dessa ferramenta espiritual. Não devemos entrar em oração de qualquer maneira, e precisamos entender que a oração pode trazer resultados inesperados, ao tratar-se da vontade de Deus. Esquecer de detalhes como este, segundo o autor, levam a orações superficiais. As orações cotidianas, especialmente as solicitadas por todos com relação ao pastor, devem ser encaradas com seriedade, debaixo da vontade de Deus. Não existe “oraçõezinhas”. O autor destaca que a oração não é a primeira palavra, o antecedente da oração é a fundamental palavra de Deus. Peterson destaca que uma chave para encontrarmos a linguagem apropriada na oração, se encontra nos salmos. O livro da oração de Israel, de Jesus e da igreja. De acordo com os autores dos salmos e a organizada compilação do livro, fica-nos claro qual deve ser a atitude do homem como resposta à palavra de Deus. Ele destaca até um contraste traçado entre os 5 livros nos salmos e a Tora. O autor mostra que não é bom que tenhamos uma resposta especificamente “pronta” para tudo, mas, no relacionamento com Deus, deve-se conceder espaço para a criatividade em eventos inesperados. Os salmos, nos ajudam a termos essa flexibilidade no relacionamento, dentro de sua compilação abrangente. Nossas orações possuem um fundamento. Elas devem ser segundo a Palavra de Deus, possuindo elementos como os visto nos salmos. Todavia, não podemos tornar estas orações superficiais, ou arrogantes. O ministério é visto por muitos como uma vida fácil, ou sem esforço verdadeiro. Mas, trata-se do oposto. Mesmo diante das diversas ocupações que possa compor sua semana, o pastor deve lembrar da oração como um fundamento do seu trabalho. Dentro das diversas demandas, devemos atender com compaixão às solicitações, e ouvir atentamente as orientações divinas, ao adentrarmos em uma conexão espiritual todos os dias. Peterson defende que seguir o sabá ajuda no comprimento dessa segunda demanda. Ele ressalta a eficácia de um dia de folga no bom andamento da semana do pastor, diz ainda que o sabá bíblico é mais do que apenas isso. Voltar-se pra Gênesis, especialmente a ação criativa de Deus e o seu descanso, constituem uma base para a relação físico-espiritual do ministério. O autor chega a chamar de desrespeito, a forma como tratam o quarto mandamento. Ele alega que o significado e a guarda do sabá coopera na adequação do ritmo e do tempo do ministério. Ele apresenta a oração e a diversão como as duas razões para a observância do Sabá, os quais, segundo ele, eram seguidas até por Calvino. O autor coloca este “sabá” como uma prática essencial, porém, destaca que sua prática não necessariamente precisa ser atendida no sábado. Ele, particularmente reserva a segunda-feira com este propósito Peterson ressalta que este dia é para poucas atividades, e maior reflexão nos feitos de Deus. Ele mostra que a igreja tem papel importante, contribuindo para que o pastor e sua família possam desfrutar desde dia de maneira apropriada. Por último, ele destaca que, involuntariamente, ao fazer uso do sabá, nosso hábito de oração melhorará. Dentro do livro, o autor destaca ainda o cuidado que devemos ter para que não misturemos o nosso trabalho com a nossa devoção. Devemos ler a Bíblia e orar, tanto porque ensinamos, como também porque necessitamos destes elementos. O pastor deve não somente ler, mas ouvir a Deus, ele distingue as duas coisas. Peterson apresenta três condições que levam ao afastamento da palavra: uma invenção notável, um ensino infeliz e uma descrição de trabalho imperfeita. O ambiente em que crescemos academicamente nos torna leitores infelizes. Os parâmetros comerciais da sociedade podem ser refletidos em nosso ministério, tanto das ovelhas com relação ao pastor como também o contrário. O pastor deve vitalizar a sua leitura, de modo que os seus olhos se tornem ouvidos, e o seu espírito faça parte ativa de cada leitura. Adentrando na história e ouvindo a Cristo como se estivesse em sua frente. Referente a exegese contemplativa, Peterson destaca que somos progressivamente bem servidos. Os pastores que viveram antes de nós, mas do que qualquer outro ramo, nos fizeram progredir muito mais. Apesar disso, a exegese acurada e empolgante ao pastor, muitas vezes limita-se a ele, não despertando a mente do ouvinte. As palavras escritas um dia foram ditas e ouvidas, e esse entendimento deve estar presente na mente daqueles que as leem e as pronunciam novamente. Uma voz, ao falar, tem, origem no interior de alguém e é dirigida ao interior de outra pessoa. A Bíblia é mais do que um livro didático, ela é viva e poderosa para nossa relação espiritual com Deus. Dentro disso, Peterson menciona a diferença radical e revolucionadora existente entre a cultura hebraico cristã do “ouvir” e “crê”, para a cultura grege do “vê” e “discorrer sobre”. Os escritores do NT deram ênfase na vida cristã e seus componentes primordiais, deixando de lado as coisas que mais agradavam a sociedade do seu tempo. A Bíblia é uma grande história desenvolvida e escrita para ser compreendida, devemos analisar cautelosamente e ao mesmo tempo, sermos tocados profundamente por ela. Sem deixarmos com que a falta dos elementos originais não carregados pela escrita, nos leve a uma interpretação inadequada da narrativa bíblica, ou ao isolamento indevido de porções da Bíblia fora do seu contexto. A exegese contemplativa envolve uma abertura às palavras que revelam e uma submissão às que transformam. Ao usar o exemplo da estrada para Gaza, o autor potencializa à boa comunicação Bíblia-homem entre diferentes culturas. Ele defende que a hermenêutica bíblico-pastoral pressupõe a exegese, mas vai além dela. Perguntas geram perguntas, cada uma das indagações deu margem para a pregação de Filipe, pautada em leitura bíblica e experiência com Cristo. As Escrituras nos colocam de uma maneira mais radical diante do mundo. A leitura nos concede consciência plena de nossa vida e do ser de Deus. A principal reação da leitura bíblica não é algo dramático ou emocional, mas sempre consciente. A característica dos escritores da Bíblia em seu contexto primitivo e dedicado, contrasta com a realidade apressada dos tempos atuais. A Bíblia deve ser lida de uma maneira singular, atendando-se a cada detalhe, sendo do nosso real interesse, ou não. Na Continuidade do Livro, Peterson discorre sobre a importância da orientação espiritual realizada de maneira especificamente atenta aos detalhes mais obscuros da vida dos liderados. Ajudando as pessoas a observarem aquilo que tem passado despercebido, e que Deus deseja corrigir. Os pastores, mesmo dentro de uma atmosfera cheia de urgências e demandas, devem deixar de marginalizar esta tarefa, e passar a encará-la de maneira mais devota em seu ministério, para que as necessidades silenciosas de suas ovelhas sejam encontradas. O autor volta a destacar a importância das disciplinas básicas da vida cristã, e mostra o quão difícil é encontrar materiais que destrincham e equilibram estes elementos em suas produções. Ele revela que a orientação espiritual acaba sendo realizada de maneira informal na maioria das vezes. É uma área do ministério pendente as generalizações. Peterson destaca que estas áreas “sem importância” do ministério, podem ser, na realidade, as mais importantes. Em seguida, ele destaca a importância da busca por um orientador espiritual, especialmente por parte dos próprios pastores. Não ser cuidado espiritualmente, pode conduzir a um mal condicionamento espiritual, consequentemente, resultar em um mal serviço como cuidador. Nossa autoridade não pode sobrepor nossas necessidades básicas. Peterson ressalta que nossa posição requer atos de autoridade e nossa fé exige que vivamos em submissão. Essa orientação muda nossa maneira de enxergar a própria vida espiritual de maneira prática. Métodos e propósitos são alterados ou estabelecidos, a espontaneidade aumenta e a carga mental é reduzida. Procurar contato com a orientação escrita antiga, daqueles que nos precederam como bons mestres de oração e fé, faz a diferença nesse processo. Peterson destaca que, tudo que foi dito, bem como todas as experiencias compartilhadas por ele no livro, não dependem da “orientação espiritual” para ser um fato em nossas vidas, mas certamente podem ser ampliadas ao cedermos espaço para tal disciplina. Ele encerra o livro ressaltando a prática prudente da orientação espiritual, onde destaca a figura de cinco pastores que falharam completamente ao lidarem com a orientação de um jovem que despertara espiritualmente. Peterson destaca a prática de cultivar uma atitude de vigilância, uma consciência da ignorância própria e uma predisposição para oração, a fim de evitarmos o fracasso nessa tarefa árdua da orientação espiritual. Não nos limitando a fórmulas simples, mas colocando corpo e alma esforçadamente e devidamente em cada processo.

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    Eugene H. Peterson profile picture

    Eugene H. Peterson

    Nascido em 1932, no estado de Washington (EUA), ainda jovem mudou-se com a família para Montana, onde foi criado. Casou-se com Janice Stubbs, com quem teve três filhos: Karen, Eric e Leif. Graduou-se pelo Seminário Teológico de Nova York e pela Universidade John Hopkins. Em 1962, fundou a Igreja Presbiteriana Cristo Nosso Rei, em Maryland. Foi um período crítico em sua vocação, pois, até então, assumir uma igreja estava fora de seus planos - acreditava que seu chamado era para o trabalho acadêmico. No entanto, a experiência como pastor de ovelhas não apenas proporcionou a Peterson 29 anos gratificantes de ministério, como também experiência e reconhecimento. A partir de 1991, ingressou no Seminário de Pittsburgh como autor residente. Foi quando passou a dedicar mais tempo ao ensino e à literatura, tendo produzido mais de trinta títulos. Em janeiro de 1993, tornou-se docente em Teologia Espiritual no prestigiadíssimo Regent College, no Canadá, onde atualmente é professor emérito. Além de escritor e poeta, Peterson produziu uma tradução da Bíblia, publicada sob o título The message. Embora tenha grande prestígio entre pastores e teólogos, seu público é muito maior, uma vez que abrange os cristãos interessados numa teologia sólida e bem fundamentada. Por suas reflexões equilibradas sobre a missão e a vocação do ministro cristão - o compromisso com a ortodoxia bíblica, o estímulo a uma exegese contextualizada e o cultivo de uma eclesiologia viva e dinâmica -, é chamado por muitos de "pastor de pastores".

    30 Livros
    57 Seguidores
    Washington, Estados Unidos

    Eugene H. Peterson