Parte I:
Essa é outra armadilha do neoliberalismo nos últimos anos, mas que, com uma nova e correta perspectiva mundial, certamente deverá ser desmoralizada. Segundo esse pensamento, não há recursos disponíveis para nada. Isso é incrível, quando há vários trilhões de dólares circulando livremente no setor financeiro. Mas este é exatamente o problema. As massas de ativos financeiros supervalorizados são remuneradas por altas taxas de juros, pela especulação bancária e por outros mecanismos que concentram a renda nas mãos do setor financeiro. As várias crises financeiras que vivemos desde 1987 até o presente não conseguiram desvalorizar maciçamente estes excedentes financeiros. E a razão básica para esta dificuldade é a intervenção estatal sistematicamente a favor da sobrevivência deste mundo financeiro sobredimensionado. São as colossais dívidas públicas estimuladas no período que sustentam estes impérios de papéis e valores superinflados.
*
Mais em:
https://listadelivros-doney.blogspot.com/2018/10/do-terror-esperanca-auge-e-declinio-do.html
XXXXXXXXXXXXX
Parte II:
Estes fatos nos mostram a profundidade da armadilha em que nos meteu a hegemonia dos princípios neoliberais na vida econômica da década de oitenta. A liberação dos mercados, o relaxamento do controle estatal sobre as empresas, particularmente sobre o setor financeiro, não conduziram a um mercado mais livre.
Pelo contrário, a desregulamentação favoreceu a monopolização dos mercados, em particular dos mercados financeiros nacionais e o mundial. Ao mesmo tempo, a elevação das taxas de juros, típica da década de oitenta, aumentou dramaticamente os gastos públicos. Paradoxalmente, a aplicação do neoliberalismo não conduziu ao equilíbrio do gasto público, mas ao mais aventureiro desequilíbrio fiscal da história do capitalismo. E o mais grave é que estas dívidas enormes não se convertiam em melhorias econômicas e sociais, se destinavam exclusivamente a engordar os bolsos dos especuladores. (...)
A austeridade fiscal não é um programa da direita, apesar de os conservadores a terem alardeado sempre como uma característica de seus governos. Ao contrário, o compromisso da direita com a especulação financeira inviabilizou sua capacidade de estabelecer uma verdadeira austeridade fiscal. Ela cortou drasticamente os gastos sociais, mas aumentou os gastos militares e os gastos financeiros e, como consequência da crise social que se aprofundou mundialmente, aumentou enormemente a necessidade dos gastos sociais. Este círculo vicioso foi o principal resultado da hegemonia neoliberal de Thatcher e Reagan.
*
Mais em:
https://listadelivros-doney.blogspot.com/2018/10/do-terror-esperanca-auge-e-declinio-do_18.html
XXXXXXXXXXXXX
Parte III:
Reconhece-se, cada vez mais claramente como um consenso latente, que o reino do pretenso livre-comércio somente favoreceu a monopolização dos mercados globais, a fusão espetacular dos grandes conglomerados em gigantescas unidades econômicas, cuja eficácia é cada vez mais duvidosa; o domínio do capital especulativo, que leva à instabilidade alcançando, inclusive, os pontos mais distantes do sistema; ao aumento da desigualdade entre os povos e as classes sociais que leva à concentração brutal da renda em nível nacional, regional e local, ao desequilíbrio e à insegurança do mercado financeiro mundial.
*
Mais em:
https://listadelivros-doney.blogspot.com/2018/10/do-terror-esperanca-auge-e-declinio-do_55.html
XXXXXXXXXXXXX
Parte IV:
Nenhum povo solidamente implantado está disposto a entregar ao mercado a definição de seus valores fundamentais. O delírio neoliberal que pretende atribuir ao mercado a direção e a orientação das mais profundas atitudes humanas não encontra raízes em nenhum povo civilizado. Podem adotar em seu discurso para consumo externo, mas jamais se disporão a praticá-lo em seus países.
*
O neoliberalismo ainda seria uma piada, como seus teóricos eram tratados nos anos 50, quando ninguém lhes dava bola. Mas infelizmente ele se converteu numa realidade para servir a interesses econômicos muito concretos e poderosos. Apesar da crise que se expande no mundo em função de suas políticas aventureiras, eles procuram se disfarçar de sérios e austeros escondendo-se atrás de uma teoria que nada mais fez do que disfarçar a verdadeira realidade: a crise, o desequilíbrio, a concentração, a pobreza e a exclusão.
*
No mundo sob inspiração neoliberal que ainda rege a ação das instituições financeiras internacionais, o dogma da não intervenção estatal desaparece imediatamente quando se trata de defender os interesses do setor financeiro. Juros altos, aumento da dívida pública, financiamento das instituições financeiras em quebra são formas brutais de intervenção estatal que não provocam nem uma só restrição dos neoliberais. Claro que todos sabemos a quem servem estas teorias.
*
Mais do blog Lista de Livros em: