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    Professores para quê? (Psicologia e Pedagogia) - Para uma pedagogia da pedagogia

    Georges Gusdorf

    Martins Fontes
    2003
    257 páginas
    8h 34m
    ISBN-10: 8533617178
    Português Brasileiro
    4.8
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    Fabio Coronel Gagno Junior picture
    Fabio Coronel Gagno Junior23/04/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Obra imprescindível!

    Georges Gusdorf evidencia a crise da docência a partir de sua dimensão existencial. A crise da educação é a crise da própria cultura, pois as pessoas encontram-se sem condições de se colocarem no mundo e os sistemas de ensino reduziram o ato pedagógico a uma vivência meramente técnica, suprimindo seu aspecto humanista e cultural. O autor critica a especialização fragmentária do conhecimento e a perda de um horizonte de formação humana, algo que deveria unificar a reflexão sobre educação. O livro supõe que é a figura do mestre, o uso que este faz da comunicação enquanto diálogo e sua presença enquanto outro sujeito que promove a continuidade da cultura humana e, por extensão, da educação. A palavra do mestre na relação com o aluno não é apenas veículo de comunicação, mas serve como auxílio para a constituição da consciência no mundo, neste sentido, educar é instaurar um mundo simbólico compartilhado. Gusdorf em vários pontos questiona a racionalidade instrumental, de maneira bem socrática propõe a educação como uma jornada de autodescoberta/autoconstrução do ser humano na cultura. As áreas do conhecimento são apenas um meio para a finalidade educativa, que visa a compreensão da condição humana e o estabelecimento de propósito e direção para as pessoas. A relação que o livro sugere entre mestre e discípulo na educação pode ser resumida da seguinte forma: o mestre é aquele que busca a verdade no diálogo, mas que sabe que não sabe; o discípulo é aquele que sabe que não sabe, mas que supõe que o mestre saiba. O papel transitório do mestre nesse contexto é fazer do discípulo alguém autônomo o suficiente para reconhecer-se enquanto pessoa que sabe que ninguém sabe, mas que, mesmo assim, permanece em busca do saber no encontro dialogal com os outros e com o mundo. O docente é quem inquieta e provoca os alunos para essa nova realidade de existência, é quem promove a relação de amizade que torna possível o enriquecimento mútuo entre os seres em determinado cenário cultural, pois a cultura é a moldura na qual se realiza a humanidade do homem. O professor, na medida em que media a cultura e interliga passado, presente e futuro, deve ser resgatado como figura civilizacional e responsável pela continuidade simbólica da experiência humana. Portanto, a verdadeira pedagogia é aquela que questiona a si mesma, que se reconhece como arte e ética numa dinâmica sempre relacional, que aponta para uma formação humana enraizada numa visão compartilhada de ser humano, mundo e cultura.

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    Georges Gusdorf profile picture

    Georges Gusdorf

    Après des études au Lycée Montaigne à Bordeaux, il entre à l'École normale supérieure (ENS) de Paris en 1933. Il suit en parallèle sa scolarité à la Sorbonne sous la direction de Léon Brunschvicg, dans les années 1930 - l'époque d'André Lalande et d'Émile Bréhier. En 1940, il est fait prisonnier avec son régiment dans le Loiret et passe toute la guerre dans différents camps de prisonnier, où on le déplace pour son refus de défendre la politique de Vichy. Il finit à Lübeck, en Allemagne du Nord. C'est durant ces années de détention qu'il fait l’expérience d’une sociabilité intellectuelle que sa carrière universitaire ne lui permettra plus, selon lui, de renouveler. Après la guerre, entre 1945 et 1946, il prend la charge de répétiteur à l'ENS, préparant à l'agrégation de philosophie. Il y succède à Merleau-Ponty, et prépare à l'agrégation Althusser et Foucault. En 1948, il est nommé professeur à l'université de Strasbourg, occupant la chaire de philosophie générale et de logique. Il n'a alors publié, sous la direction de Gaston Bachelard, qu'une thèse, La Découverte de soi, matrice de ses futurs travaux sur la mémoire et rédigée au cours de sa longue captivité à Lübeck. Gusdorf raconte que dans son camp de prisonniers, le milieu des officiers de carrière était favorable à Vichy, notamment aux thèses défendues par Jean Guitton et relayées un certain temps par Paul Ricœur1. Avec quelques-uns de ses camarades, il réussit à retourner les esprits. « C'est grâce à vous que nous avons pu rentrer la tête haute », lui a dit après la guerre un officier prisonnier avec lui2. La captivité a également été l'occasion pour Georges Gusdorf de s'intéresser à un genre qui d'ordinaire ne tente pas les philosophes, l'autobiographie. Admirateur de la Geistesgeschichte (de) et de l'école critique fondée par Wilhelm Dilthey ainsi que de l'Histoire de l'autobiographie de Georg Misch, le gendre de Dilthey, Gusdorf polémiqua en 1975 contre l'approche à son sens formaliste de Philippe Lejeune et de son pacte autobiographique3. Georges Gusdorf reste attaché à une vision lucide de l’homme, qui est conditionné par son corps et le monde dans lequel il vit, mais qui est aussi capable de se détacher de ce déterminisme et de produire des œuvres où se manifeste sa liberté. Ces œuvres ne peuvent être réduites à des schémas formels, elles expriment un être personnel et avec lui tout un univers que l’on ne pourra jamais dévoiler entièrement et qui varie en fonction des individus, mais aussi des époques4. De 1966 à 1988, il publie chez Payot les quatorze volumes d'une vaste recherche encyclopédiste, Les sciences humaines et la pensée occidentale2. En 1968, peu en phase avec la révolte étudiante, il s'exile à l'université Laval, située à Québec, mais revient à Strasbourg, une fois le calme revenu. Georges Gusdorf affirme avoir en quelque sorte prévu l'explosion dans son ouvrage L'Université en question, paru en 19642. Georges Gusdorf a également enseigné à l'Université du Texas à Austin et à HEC Montréal. Une rue fut baptisée en son honneur sur la commune de Strasbourg en 2011.

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