Um Júri Suspeito

    Sergio Bandeira de Mello

    AEROPLANO EDITORA
    2008
    438 páginas
    14h 36m
    ISBN-13: 9788578200046
    Português Brasileiro

    Por aquilo que já pude averiguar nesses três dias de investigação, Heloísa, em seu jornal, encontrava-se permanentemente na berlinda. Em uma analogia com o que deveremos viver daqui pra frente, em vida era sempre a acusada, a ré. Acabou vítima dessa tragédia. Já seus constantes julgadores e julgadoras – os jurados nessa mesma imagem – formam, no mínimo, 'Um Júri Suspeito'.

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    Camila Marques Corrêa picture
    Camila Marques Corrêa04/01/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Poirot à brasileira

    Lembro do dia em que peguei a obra no carrinho de doação da biblioteca, por puro impulso, confesso. Li a sinopse e não botei muita fé no enredo. Que tolice a minha... Foi uma das melhores leituras da minha vida de leitora! Era quase impossível parar de ler. Para início de nossa conversa, o que me chamou a atenção durante a leitura foi a forma como o autor, Sérgio Bandeira de Mello, consegue nos inserir no tempo da narrativa de modo tão potente. A década é a de 1950, em uma Rio Janeiro de bondes, cafés, alfaiatarias, pompa e circunstâncias. Devemos agradecer ao(à) responsável pela edição, principalmente no que tange à página dupla com a reprodução de uma página de jornal do Diário da Manhã, jornal no qual Heloísa Arruda, a vítima, trabalhava. Através dessa reprodução podemos entrar no contexto mais facilmente, e permitir que nossas imaginações façam seu devido trabalho de imersão na história. Uma característica que muito me marcou foi o uso em demasia de metáforas pelo comissário Amílcar, um verdadeiro desbunde! Ele e seu fiel escudeiro, Tião, formam um dupla extremamente sagaz e divertida. Outra questão que também me arrematou foi a forte presença feminina na trama. As mulheres não são apenas soltas a esmo na narrativa, cada uma delas tem um capítulo dedicado para si e com espaço de sobra para apreciarmos suas personalidades muito bem desenvolvidas. Confesso que até a última linha jamais passou pela minha cabeça o desfecho ocorrido, jamais suspeitei daquele(a) que se mostrou, ao final, o(a) responsável pelo assassinato, embora estivesse muito na cara mas só me dei conta ao final (muito frustrante rsrsrsrs). Ademais, o jogo contido na obra também muito me chamou a atenção. Há uma brincadeira com os leitores quanto às cartas trocadas entre a editora do jornal e a personagem Emengarda, uma espécie de Código da Vinci a ser desvendado. A obra em si é fenomenal e mal posso esperar para ler a outra obra com o comissário Amílcar e sua sagaz sabedoria, e senso de humor.

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