Lembro do dia em que peguei a obra no carrinho de doação da biblioteca, por puro impulso, confesso. Li a sinopse e não botei muita fé no enredo. Que tolice a minha... Foi uma das melhores leituras da minha vida de leitora! Era quase impossível parar de ler.
Para início de nossa conversa, o que me chamou a atenção durante a leitura foi a forma como o autor, Sérgio Bandeira de Mello, consegue nos inserir no tempo da narrativa de modo tão potente. A década é a de 1950, em uma Rio Janeiro de bondes, cafés, alfaiatarias, pompa e circunstâncias. Devemos agradecer ao(à) responsável pela edição, principalmente no que tange à página dupla com a reprodução de uma página de jornal do Diário da Manhã, jornal no qual Heloísa Arruda, a vítima, trabalhava. Através dessa reprodução podemos entrar no contexto mais facilmente, e permitir que nossas imaginações façam seu devido trabalho de imersão na história.
Uma característica que muito me marcou foi o uso em demasia de metáforas pelo comissário Amílcar, um verdadeiro desbunde! Ele e seu fiel escudeiro, Tião, formam um dupla extremamente sagaz e divertida. Outra questão que também me arrematou foi a forte presença feminina na trama. As mulheres não são apenas soltas a esmo na narrativa, cada uma delas tem um capítulo dedicado para si e com espaço de sobra para apreciarmos suas personalidades muito bem desenvolvidas.
Confesso que até a última linha jamais passou pela minha cabeça o desfecho ocorrido, jamais suspeitei daquele(a) que se mostrou, ao final, o(a) responsável pelo assassinato, embora estivesse muito na cara mas só me dei conta ao final (muito frustrante rsrsrsrs). Ademais, o jogo contido na obra também muito me chamou a atenção. Há uma brincadeira com os leitores quanto às cartas trocadas entre a editora do jornal e a personagem Emengarda, uma espécie de Código da Vinci a ser desvendado. A obra em si é fenomenal e mal posso esperar para ler a outra obra com o comissário Amílcar e sua sagaz sabedoria, e senso de humor.