Os tigres projetam medo porque tem medo, só o medo conhecem. Os elefantes, criaturas imensas, não precisam ter medo. Os cachorros gostam de gostar de alguém. Os gatos? Esses querem estar sozinhos. E os homens, estão em guerra por medo de amar. Amar um amor sem posse e sem destino certo, como o que a princesa Sidarta descobre no final.
As inúmeras metáforas para a vida e os homens e as lições universais aprendidas por Baita tem mais poesia do que o próprio poeta que recitava versos para o mar.
A guerra dentro da gente não é apenas a descoberta do amor, da coragem e da compaixão. O livro traz a tona outros debates também, com referências histórico-políticas como a da cidade do vencedor da guerra que possuia uma "Estátua da Liberdade", pois o rei tinha a liberdade de fazer o que quisesse com os outros povos.
Baita aprende o que kutala se propôs a ensiná-lo, mas se engana quem vislumbra no livro um final de conto de fadas. O menino, ao encontrar a antiga casa em abandono, percebe os sacrifícios que fez para aprender a arte da guerra. Perdeu os pais e perdeu Sidarta. Fez escolhas, que nem sempre são necessariamente certas ou erradas. Essa é a arte da vida e é também a guerra dentro da gente. Fazer escolhas, abandoná-las, e depois mudar de curso. A guerra dentro da gente é crescer, é se entender como ser humano, é entender o papel que queremos desempenhar no mundo. Se queremos ser homens de guerra ou homens de amor.