Quando peguei o livro, cheguei a imaginar que havia sido publicado pela UFES, devido ao brasão na parte de trás do livro sendo quase idêntica ao brasão da universidade. Um segundo depois, me toquei de que estava olhando o brasão de Vasco Fernandes Coutinho, primeiro capitão da província do Espírito Santo. É ele o Capitão do Fim, nesse romance histórico de um dos grandes historiadores capixabas.
Longe de ver uma figura exaltada e imortalizada pelas suas proezas, o Vasco Fernandes aqui é humano: invejoso, dado aos prazeres do fumo, da bebida, do jogo e das mulheres. Humano, demasiado humano.
É uma forma muito interessante de se conhecer a história do Espírito Santo. Em como foram o início da colonização, onde habitaram, quais foram os conflitos, a relação com a Igreja, com Portugal e as capitanias vizinhas. A narrativa é bem formal, com um estilo de repetir as informações que as vezes funciona, as vezes fica cansativa, como "e desejou o que desejou quando queria desejar" e similares. Os diálogos imaginados imitam o que seria a língua falada na época, com seus "fideputas" aqui e ali. No geral, passam uma boa aura de se ler um documento bem antigo.
O Espírito Santo é um dos menores estados brasileiros, mas um dos mais antigos e com histórias riquíssimas e interessantíssimas para contar. Capitão do Fim é um bom exemplo desse patrimônio capixaba. Recomendo.