Contos Gauchescos -

    João Simões Lopes Neto

    Martins Livreiro - Editor
    2004
    157 páginas
    5h 14m
    ISBN-10: 8586232793
    Português Brasileiro

    O livro é composto por dezenove contos e neles percebemos as qualidades do narrador e paralelamente, os seus limites. Dois traços tornam-se nítidos: a fixação do mundo gauchesco; a oralidade e o regionalismo da linguagem. Para isso, muito vale a estratagema do escritor, cedendo a palavra ao vaqueano Blau Nunes. Blau Nunes contará os seus casos, recolhidos no 'trotar sobre tantíssimos rumos'. E a sua fala - por ser teoricamente a de um gaudério, a de um peão sem trabalho fixo - se esquivará, por vezes, da exaltação dos pampas e da condição gaúcha, que no fundo, foi sempre uma auto-exaltação dos oligarcas sulinos. Há no tom narrativo de Blau certa neutralidade, destruída aqui e ali pela saudade dos antigos tempos e por certo moralismo de origem cristã. Porém a sua nostalgia vincula-se a uma época na qual o gado ainda xucro era campeado - conforme o relato Correr eguada - e os peões tinham direito a sua tropilha nova, fato que não se repetiria numa sociedade cada vez mais dividida entre fazendeiros e trabalhadores. Por outro lado, a significação moral das histórias exige-se sobre um sentimento de relativo desconforto no narrador com a violência imperante no território gaúcho: a destruição do boi em serventia [ O boi velho ], a carnificina guerreira [ O anjo da vitória ], etc. Ainda que esforço documental presida a obra, o registro dos costumes nunca é gratuito. Liga-se à ação dos contos e a psicologia simples dos indivíduos. Em três ou quatro narrativas, contudo, o valor do documento é superado por uma legítima sensibilidade artística: Trezentas onças, O contrabandista e O boi velho transcendem à condição de espelho da região, atingindo a chamada universalidade das grandes produções literárias. Se muitos contos permanecem apenas como registro de costumes ou como anedotas bem contadas [eis o limite do autor pelotense], a linguagem em todos eles é viva e cheia de dialetismos, o que, em parte, dificulta a leitura. O linguajar gauchesco é reproduzido pelo escritor. Mas a utilização que Simões Lopes Neto faz do regionalismo linguístico não visa o pitoresco, como acontece na maioria das manifestações artísticas dita regionais. Nele, a expressão típica é uma decorrência dos conteúdos trabalhados, e, por isso mesmo, somos capazes de superar as dificuldades de seu vocabulário. No final há um glossário de termos regionais gaúchos.

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    Francisco Oliveira picture
    Francisco Oliveira21/02/2023Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Os contos são muito bons são curtos e com a linguagem do Sul que quem não está acostumado com a linguagem vai acabar perdido e ficar sem entender certas expressões. Fiquei nostálgico, estou com vontade de ler mas literatura gaúcha, acho que lerei Érico Veríssimo novamente.

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