Nascido em União de Palmares, em 23 de abril de 1893, dia de São Jorge, o poeta podia contemplar, da janela do sobrado em que morava, a Serra da Barriga, onde Zumbi reuniu ex-escravos para fundar seu lendário quilombo. Ouvia com imensa curiosidade - e terror - as fantásticas histórias e lendas da região. Um dia, foi com uma pequena comitiva visitar a serra. O grupo se perdeu na espessa mata, e seus integrantes tiveram que dormir na casa rústica de um lavrador, antes de seguir viagem na manhã seguinte. Em entrevista, anos mais tarde, Jorge de Lima confessou que, naquele momento, pela primeira vez se sentiu tocado pela poesia: "Todo o imenso panorama que descortinei então - o Rio Mundaú, que segundo a lenda nascera das lágrima de Jurema, de um lado a Serra dos Macacos, do outro a planície do Jatobá, os campos verdes de Terra-Lavada, o Fundão, o Tobiba, os bangüês, a Great Western, as olarias, e lá longe a igreja da minha padroeira e o sobrado em que eu nascera, tudo aquilo entrou pelos meus olhos deslumbrados de menino nunca mais saiu de dentro de mim. Tanto assim que, muitos anos depois, já homem feito, foram esses os temas que fui buscar para alguns poemas da fase que poderia chamar 'nordestina' da minha poesia." Quando se mudou para Maceió, aos sete anos, o menino já havia rabiscado os primeiros versos. Ao ingressar no Colégio Diocesano, fez questão de mostrar seu talento num jornalzinho que ele mesmo publicava, "O Corifeu". Seus primeiros sonetos começaram a aparecer nos jornais de Maceió em 1907. Nessa época, compôs "O acendedor de lampiões". No ano seguinte, transferiu-se para o curso superior de Medicina, e impregnou-se dos motivos regionais que surgiriam, mais tarde, em vários de seus livros. Quando desembarcou no Rio, em 1911, para continuar os estudos, tinha 18 anos. Na capital, três anos mais tarde, publicou os "XIV Alexandrinos", seu primeiro livro. Voltou a Maceió, para assumir a carreira de médico. Atendendo tanto a rica elite local quanto os pobres que não tinham como pagar consulta - prática que nunca abandonou -, acabou ganhando um enorme prestígio, que lhe valeu a eleição para deputado estadual. Voltou em definitivo para o Rio em 1930, onde, em 1947, foi eleito vereador. Seu consultório, na Cinelândia, tornou-se ponto de encontro de intelectuais e escritores como Murilo Mendes, Graciliano Ramos e José Lins do Rego, que passavam horas discutindo literatura. Além de poemas, Jorge de Leimo também escreveu romances ao longo de toda a sua carreira, entre os quais "Calunga" e "Guerra dentro do beco". Em 1952, publicaria sua obra mais aclamada, "Invenção de Orfeu", epopéia em dez cantos, na qual utiliza os recursos apreendidos em uma vida inteira dedicada à literatura. Morreu no ano seguinte, aos 60 anos, deixando como legado uma das obras mais impressionantes de toda a literatura brasileira.

