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    Anunciação e encontro de Mira-celi - Tempo e eternidade / A túnica inconsútil

    Jorge de Lima

    Record
    2006
    318 páginas
    10h 36m
    ISBN-10: 8501071188
    Português Brasileiro
    3.5
    17 avaliações
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    Nascido em União de Palmares, em 23 de abril de 1893, dia de São Jorge, o poeta podia contemplar, da janela do sobrado em que morava, a Serra da Barriga, onde Zumbi reuniu ex-escravos para fundar seu lendário quilombo. Ouvia com imensa curiosidade - e terror - as fantásticas histórias e lendas da região. Um dia, foi com uma pequena comitiva visitar a serra. O grupo se perdeu na espessa mata, e seus integrantes tiveram que dormir na casa rústica de um lavrador, antes de seguir viagem na manhã seguinte. Em entrevista, anos mais tarde, Jorge de Lima confessou que, naquele momento, pela primeira vez se sentiu tocado pela poesia: "Todo o imenso panorama que descortinei então - o Rio Mundaú, que segundo a lenda nascera das lágrima de Jurema, de um lado a Serra dos Macacos, do outro a planície do Jatobá, os campos verdes de Terra-Lavada, o Fundão, o Tobiba, os bangüês, a Great Western, as olarias, e lá longe a igreja da minha padroeira e o sobrado em que eu nascera, tudo aquilo entrou pelos meus olhos deslumbrados de menino nunca mais saiu de dentro de mim. Tanto assim que, muitos anos depois, já homem feito, foram esses os temas que fui buscar para alguns poemas da fase que poderia chamar 'nordestina' da minha poesia." Quando se mudou para Maceió, aos sete anos, o menino já havia rabiscado os primeiros versos. Ao ingressar no Colégio Diocesano, fez questão de mostrar seu talento num jornalzinho que ele mesmo publicava, "O Corifeu". Seus primeiros sonetos começaram a aparecer nos jornais de Maceió em 1907. Nessa época, compôs "O acendedor de lampiões". No ano seguinte, transferiu-se para o curso superior de Medicina, e impregnou-se dos motivos regionais que surgiriam, mais tarde, em vários de seus livros. Quando desembarcou no Rio, em 1911, para continuar os estudos, tinha 18 anos. Na capital, três anos mais tarde, publicou os "XIV Alexandrinos", seu primeiro livro. Voltou a Maceió, para assumir a carreira de médico. Atendendo tanto a rica elite local quanto os pobres que não tinham como pagar consulta - prática que nunca abandonou -, acabou ganhando um enorme prestígio, que lhe valeu a eleição para deputado estadual. Voltou em definitivo para o Rio em 1930, onde, em 1947, foi eleito vereador. Seu consultório, na Cinelândia, tornou-se ponto de encontro de intelectuais e escritores como Murilo Mendes, Graciliano Ramos e José Lins do Rego, que passavam horas discutindo literatura. Além de poemas, Jorge de Leimo também escreveu romances ao longo de toda a sua carreira, entre os quais "Calunga" e "Guerra dentro do beco". Em 1952, publicaria sua obra mais aclamada, "Invenção de Orfeu", epopéia em dez cantos, na qual utiliza os recursos apreendidos em uma vida inteira dedicada à literatura. Morreu no ano seguinte, aos 60 anos, deixando como legado uma das obras mais impressionantes de toda a literatura brasileira.

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    Usuário excluído23/02/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Anunciação e encontro de Mira-Celi; Tempo e Eternidade; A túnica inconsútil

    Encontramos aqui o trio cristão que compõem a obra de Jorge de Lima, um dos maiores poetas do modernismo brasileiro. Sua profundidade é demonstrada nos versos feitos como cristão (diga-se, até com fé), que tenta mostrar a dimensão da solidão, da queda e da natureza humana.

    1 curtida

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    Jorge de Lima

    Era filho de um comerciante rico e mudou-se para Maceió em 1902, com a mãe e os irmãos. Em 1909 foi morar em Salvador onde iniciou os estudos de medicina. Concluiu o curso no Rio de Janeiro em 1914, mas foi como poeta que projetou seu nome. Neste mesmo ano publicou o primeiro livro, XIV Alexandrinos. Voltou para Maceió em 1915 onde se dedicou à medicina, além da literatura e da política. Quando se mudou de Alagoas para o Rio, em 1930, montou um consultório na Cinelândia, transformado também em ateliê de pintura e ponto de encontro de intelectuais. Reunia-se lá gente como Murilo Mendes, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Nesse período publicou aproximadamente dez livros, sendo cinco de poesia. Também exerceu o cargo de deputado estadual, de 1918 a 1922. Com a Revolução de 1930 foi levado a radicar-se definitivamente no Rio de Janeiro. Em 1939 passou a dedicar-se também às artes plásticas, participando de algumas exposições. Em 1952, publicou seu livro mais importante, o épico Invenção de Orfeu. Em 1953, meses antes de morrer, gravou poemas para o Arquivo da Palavra Falada da Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos da América. [editar] Estilo e personalidade Entre 1937 e 1945 teve sua candidatura à Academia Brasileira de Letras recusada por seis vezes. Para Ivan Junqueira, a Academia cometeu uma imperdoável injustiça com o autor, cujo trabalho literário foi excepcionalmente bem recebido pela crítica e pelo público. O acadêmico não acredita que o poeta tenha transitado à margem da literatura de seu tempo e, afirma, quando se refere ao maior poema do autor - Invenção de Orfeu, "…até hoje, transcorridos mais de 50 anos de sua publicação, não há poeta brasileiro que dele não se lembre." Os textos de Jorge de Lima abrigam uma colossal possibilidade de leituras (a convivência entre a tradição e o novo, o vulgar e o sublime, o regional e o universal) refletem um artista em constante mutação, que experimentou estilos diversos como o parnasiano, o o regional o barroco, o religioso. Na sua multiplicidade, Jorge de Lima pertence a todas as épocas, mesmo se reportando a um tema ou uma situação específica, ao tocar em injustiças sociais que mudaram pouco desde o início da civilização e quando escreve sobre as grandes dúvidas de todos nós, "…da miséria humana, da tentativa de superação de nossas amarras e de nossas limitações.", explica o poeta e jornalista Claufe Rodrigues, leitor voraz de Jorge de Lima.

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    Alagoas, Brasil

    Jorge de Lima