Leminski atualiza na epígrafe o "deixai toda esperança, ó vós que entrais" e a leitura começa por onde o mundo quatro vezes acabou: Atlântida, Japão, Lisboa, serra fluminense. São cãibras da natureza, adverte o autor, e numa dessas a Terra acaba mesmo de uma cãibra no coração. Gritos grisalhos dá força literária ao fato. E sentido literal ao tropo do ler de um fôlego só. Alguma força passou por ali, maré, chuva, terremoto ou autor, para terminar "sem qualquer sombra de dublagem/ ou legenda de happy end" no último "canto" do livro, no sentido grego, mas sobretudo baiano de "cantoria". Depois de apresentar Atlântida soçobrando num outono "sarará" e o Japão saqueado por um "cangaceiro do espírito (...) no lombo das descomunais ondas relinchantes", Sergio Bruni traz o tranco para dentro de nós, luso-tropicais: o Tejo-terremoto, que "a tudo arlequinalmente alberga: /telhas, /tamancos, / flores, espartilhos, rolhas", antes da reconstrução de Lisboa com "toneladas do (mineiro & baiano) ouro brasileiro (...) sob as luas mais-que-cheias, /de papel crepom e maresia!!!"). Chegamos ao Brasil: serra soterrada.
Gritos Grisalhos
Sergio Bruni
Léo Christiano Editorial
2011
80 páginas
2h 40m
ISBN-13: 9788585020866
Português Brasileiro
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