(...) Sintomaticamente, muitos poemas são dedicados a alguém que interferiu na (cosmo)politização do autor: a pernambucidade vibra através de João Cabral (que trocadilha com Pedro), Gonzagão, Alceu Valença ou Frederico Barbosa; a mineiridade é invocada em Rosa e Drummond; a baianidade, em Caetano, Gil e Tom Zé; a paraibanidade, em Augusto dos Anjos; a concretude, nos Campos, em Mallarmé ou Cummings; a musicalidade, em Rita Lee, Jackson do Pandeiro ou Itamar Assumpção; a paulistanidade, em suma, em todos eles juntos. O mosaico onomatpaico amadorano não é, portanto, amadorístico, mas revela-se amorosíssimo e apaixonado como um fã, evidenciando que a especialização acadêmica nem sempre dissocia a tese do tesão. No caso desse mestre-menestrel, associa o lírico ao telúrico, o lúdico ao lúbrico, o híbrido ao mínimo. Da torre ao torrão, do barro ao ferro, da pedra ao pó, a barroca urbanidade que Amador desconstrói nos sugere que a poeticidade ainda pode ser encontrada nas menores partículas duma cultura detonada e sucateada. (Glauco Mattoso)
Barrocidade (Coleção Alguidar)
Amador Ribeiro Neto
LANDY Editora
2003
122 páginas
4h 4m
ISBN-10: 8587731971
Português Brasileiro
Estatísticas
Avaliações
3 / 2- 5 estrelas0%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas100%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas0%