Distopia é o livro de estreia da autora Kate Willians e uma publicação da Editora Arwen. Três coisas são bem convidativas nesse livro: a sinopse, a capa e o gênero. Quando o solicitei mal podia esperar para ler, mas a obra não é bem tudo aquilo que eu esperava.
Como a descrição já diz, Kate nos apresenta um mundo separado pelos governantes e pelos governados. O primeiro domina o segundo, obviamente. Separados por imensos muros, os governados devem seguir todas as regras do Regimento, e quando se recusam, são severamente punidos. As crianças mal completam sete anos e já devem separar-se dos pais e entrar para o Regimento, onde serão treinados com armas e aprenderão a matar.
"Quem se atreveu a pronunciar em voz alta sobre discordar do Regimento, ou das regras ditadas pelo coronel, nunca mais foi visto." (p. 14)
Neste mundo distópico conheceremos Thiago e seus amigos, assim como Laura, a filha do coronel do Norte, o governante absoluto dessa região. Também iremos conhecer outros personagens marcantes como Enzo, o instrutor do grupo de garotos onde Thiago está. Logo que os meninos chegam no Regimento, eles começam a ver que a vida ali não será nada fácil, ainda mais se depender do sargento deles, que é extremamente cruel. Os amigos então terão que vencer seus medos, fazer escolhas e ter coragem para enfrentar o destino que os aguarda.
"O exemplo vivo disso eram os corpos putrefatos que formavam montes, jogados aos cantos do muro. Os governantes faziam questão de deixá-los à mostra para lembrá-los o que acontecia quando alguém ousava questionar suas ações." (p. 20)
Logo nas primeiras páginas já fiquei indignada com as regras em que toda a sociedade tinha que se submeter e, logo pensei que a história prometia. Mas para minha decepção eu lia, lia e nada de alucinante acontecia. A narrativa, na maioria das vezes, em terceira pessoa, girava mais na convivência dos personagens e o dia a dia deles, e com isso foi possível conhecer suas personalidades. Obviamente conhecer bem os personagens é um ponto positivo para o livro, porém, dois terços da obra só ficou nisso, e eu ansiava por acontecimentos mais eletrizantes, o que não veio, até perto do final.
Outra ressalva que faço é a passagem de tempo. No início os acontecimentos se alternavam entre passado e presente, mas não tinha uma divisão que tornasse isso mais claro, e acabou ficando um pouco confuso na hora da leitura. Além disso, quando os garotos chegaram no Regimento, os diálogos deles não pareciam com o de uma criança de sete anos, na verdade eles pareciam falar como adultos (pelo menos na minha visão).
Acredito que de tudo, o que mais me incomodou foi o final corrido. Quando finalmente algo eletrizante ia acontecer, veio um desfecho rápido e fácil demais. Apesar de muitos personagens queridos terem morrido, tudo acabou muito simples.
Mas Distopia apresenta aspectos positivos, e três estrelas não é uma nota ruim. A escrita da autora merece destaque, pois é extremamente fluída e gostosa de acompanhar. Acredito que por ser sua primeira obra, ela acertou em muitos pontos como, a criatividade da história que de fato é convidativa. A criação dos personagens também me agradou, e os laços de amizade formado entre eles foi forte e comovente. Me senti cativada por todos eles.
"Assim como nunca estaremos vestidos para morrer, meu rapaz. Ninguém sabe que terá que lutar até levar o primeiro soco." (p. 131)
Quanto a parte física gostei muito do trabalho da Arwen. O livro possui folhas amareladas, com fonte em tamanho confortável e não notei erros de revisão. A capa é chamativa e foi muito bem produzida. Só um detalhe nela que me chamou atenção. Não me recordo de ter lido cenas de enforcamento na trama, e não entendi porque na capa e contra capa tem tais ilustrações.
Apesar de todas as ressalvas, como mencionei, não foi uma leitura ruim. A premissa é muito chamativa e se o livro fosse mais aprofundado em cenas de lutas e na crueldade dos governantes pelos governados, por exemplo, ficaria uma distopia e tanto! Vou querer conferir o segundo livro, e ver se teremos mais elementos assim. De qualquer maneira, é uma ótima leitura para quem curte o gênero e gosta de conhecer novas obras nacionais.