Poheresia é o primeiro livro do autor. Já na primeira página, o leitor é surpreendido por cinco provérbios (transcrevo abaixo) que ditam os rumos do livro. Na obra de 132 páginas - e 46 poemas - saltam aos olhos dois pontos: referência e linguagem, um encangado no outro.
Pela primeira sabemos do adulto Expedito tanto quanto do jovem (ápice nos quatro poemas da série Cantiga do Amor: um ingênuo, outro nascente, o em chamas e o desvalido); conhecemos os poetas de seu agrado (que acabam por influenciar nas estruturas dos poemas e em releituras), artistas visuais, pintores, filmes, versos de 100m tanto quanto de maratona: experimentos nas formas e temáticas.
A segunda, Expedito joga conforme a blusa estipulada no parágrafo anterior, alcançando o objetivo que é fazer ver. Como em Alameda de bambus: "O som da sombra / de um milhão de flautas. // A datilografia / das falanges rápidas. // A pescaria / como o peixe a vê." e em Céu de Bashô: "Lobo sob a lã / disfarçado em céu, / o lago engole a rã". O livro é dividido em quatro partes: Poheresia, Poheroetica, Fotografismos e Breus. Cada qual reunindo um aspecto citado anteriormente.
Transcrevo "Provérbios", que é destinado ao leitor:
1
O poeta quer dizer muitas coisas,
mas lhe sobram palavras
2
A beleza era um tipo de susto
sendo que demorava
3
De todos os silêncios,
a poesia é aquele
em que habitam miragens
4
O silêncio, por vocação,
preferiria o silêncio
5
O contrário: poheresia.
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Excelente!