Achei a proposta do livro muito interessante e realmente é bem gostoso de ler. O autor consegue prender a curiosidade do leitor todo o tempo. Mas não sei por qual motivo, desde o início do livro já estava um pouco que prevendo o final da história, fiquei com a sensação de já ter lido algo parecido. Tentando me lembrar de outro livro com desenvolvimento semelhante, lembrei agora de "Elogio da madrasta", do Mario Vargas Llosa, que no final acaba por nos surpreender com um narrador que não é bem quem a gente imagina durante toda a leitura.
Em "A filha do escritor", uma paciente aparece em um hospital psiquiátrico em que o narrador trabalha, dizendo-se filha de Machado de Assis. Toda a história se desenvolve a partir desse delírio, que acaba envolvendo outros personagens da história, como o médico. Isso foi o que achei mais interessante, a forma como o autor constrói esse delírio da paciente Lívia, que tem o mesmo nome da personagem principal do primeiro livro de Machado de Assis, e que reconta a sua vida como se fosse esse romance. O médico então vai ler os livros de Machado para tentar entender o delírio da paciente e ajudá-la a voltar à realidade, mas ele mesmo acaba sendo conquistado de certa forma por Lívia. Acho que se eu comentar mais vai estragar a surpresa do final para os que ainda pretendem ler o livro =]
Mas temos aqui um livro interessante, que fala de loucura e literatura e de como, em alguns casos, as duas coisas podem se misturar.