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    Força ética e espiritual da teologia da libertação (Questões em debate) - No contexto atual da globalização

    Pablo Richard

    Paulinas
    2008
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: 8535616810
    Português Brasileiro
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    Esta sua obra é particularmente significativa e, de certo modo, decisiva no debate que hoje se trava a respeito da fidelidade ao Vaticano II, às suas perspectivas de renovação na Igreja, a contribuição que deu e que possa dar a Teologia da Libertação. Pode-se dizer que a originalidade da obra consiste na afirmação maciça de que, em seus próprios termos, "a Teologia da Libertação é, na atualidade, fundamentalmente uma ética libertadora, em que a defesa da vida é um absoluto, e a lei e as instituições são relativas". "A Teologia da Libertação, continua, foi e é, em essência, uma espiritualidade libertadora, que nasce do encontro com o Deus da vida no interior de um sistema profundamente idólatra." "Quando falamos de vida na Teologia da Libertação, explica, referimo-nos a algo muito concreto: terra, saúde, educação, participação, paz, justiça e satisfação." Numa palavra, "A espiritualidade da libertação não se defronta com o ateísmo, mas, fundamentalmente, com a idolatria" do lucro, do poder globalizado e do mercado. Colocada na perspectiva da ética e da espiritualidade, a Teologia da Libertação se torna capaz de dar uma contribuição substancial para a renovação da Igreja, a qual, depois do Concílio, se vê hoje tentada a se voltar para os próprios interesses e pretendidas exigências institucionais. Ora, a renovação da Igreja só será autenticamente cristã à medida que se empenhar com todas as suas forças em favor da vida. É verdade que a Teologia da Llibertação, por sua vez, não pode ceder à tentação de se limitar à vida nesse mundo, mas precisa ter evangelicamente os olhos voltados para a vida do Reino do Espírito, que é escatológico. O não ter talvez acentuado devidamente esse aspecto é o limite do livro de Pablo Richard, compensado, porém, com a clareza com que situa o debate da Teologia da Libertação no campo ético e da espiritualidade. Sumamente interessante é também a divisão tripartida da obra, que compreende, na primeira parte, uma visão histórica da Teologia da Libertação. Na segunda, a perspectiva de um outro mundo em que seja possível que se estabeleçam os desafios atuais da Teologia da Libertação. Finalmente, na terceira parte, apontam-se os fundamentos para uma reconstrução do cristianismo com base, sucessivamente, no Jesus histórico e na expansão da Igreja tal como é narrada no Novo Testamento.

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